Davi Alcolumbre se recusa a ler pedido de criação de CPI do Master pedida por Flávio e parlamentares do PT

Davi Alcolumbre se recusa a ler pedido de criação de CPI do Master pedida por Flávio e parlamentares do PT

 

Fonte: Bandeira



O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se recusou nesta quinta-feira a fazer a leitura de pedidos de criação da CPMI do Banco Master durante sessão conjunta de deputados e senadores. A decisão ocorreu após parlamentares de diferentes partidos apresentarem sucessivas questões de ordem pedindo a abertura da comissão para investigar o banco e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Logo no início da sessão, convocada para analisar vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, deputados e senadores passaram a usar o microfone e a tribuna para cobrar a instalação da CPI e defender investigações sobre o Master.

Ao longo da sessão, Alcolumbre tentou algumas vezes interromper os discursos sobre o banco e pedir que os parlamentares voltassem a discutir os vetos presidenciais previstos na pauta do Congresso. Na tentativa final de conter os debates, o presidente do Senado afirmou que os congressistas já haviam passado quase duas horas discutindo o caso Master sem sequer ter iniciado efetivamente a análise dos vetos.

Ao responder às questões de ordem apresentadas pelos parlamentares, Alcolumbre citou o regimento interno do Senado para afirmar que a leitura de requerimentos para abertura de CPIs fica “a juízo do presidente” da sessão — no caso, dele próprio.

— Feito esse esclarecimento de ordem técnico e regimental, gostaria também de pedir a sensibilidade dos congressistas quanto ao motivo da convocação desta sessão congressual com a pauta previamente estabelecida — afirmou.

Na sequência, Alcolumbre reforçou que a sessão havia sido convocada exclusivamente para deliberação dos vetos presidenciais e anunciou que rejeitaria todos os pedidos apresentados pelos parlamentares sobre a CPMI.

— Por isso reitero a pauta única e indefiro todas as questões de ordem levantadas — disse.

A defesa da CPMI virou a principal linha adotada por Flávio desde que o Intercept Brasil passou a divulgar áudios, mensagens e documentos envolvendo negociações para financiamento do filme “Dark Horse”, longa sobre a campanha presidencial de 2018 do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante a sessão do Congresso, Flávio voltou a defender publicamente a criação da comissão e afirmou que quer ver Vorcaro e o ex-sócio do banco Augusto Lima “sentados” diante dos parlamentares para explicar relações com integrantes dos Três Poderes.

— Eu quero Daniel Vorcaro e Augusto Lima sentados naquela CPMI falando qual é a relação que eles tinham com Flávio Bolsonaro, com Lula e com Alexandre de Moraes. Porque eu não tenho nada a temer, não tenho nada a esconder — afirmou o senador na tribuna.

Segundo Flávio, a comissão seria necessária para “separar bandido de inocente” diante das suspeitas envolvendo o banco e das revelações que atingiram políticos de diferentes correntes ideológicas.

Na tribuna do Congresso, cercado por aliados, Flávio também voltou a associar a resistência à CPMI ao governo Lula e relembrou escândalos de corrupção envolvendo o PT.

— Este é o lado da corrupção. Do outro lado está o filme de Bolsonaro, que recebeu investimento privado de alguém que, na época, não tinha nada que desabonasse sua conduta — disse.

Aliados do governo, por outro lado, têm tentado associar o escândalo diretamente ao entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), usando a expressão “BolsoMaster” para se referir à crise.

Durante a mesma sessão, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), também defendeu investigações sobre o banco e afirmou que a bancada petista apoia apurações envolvendo o Master.