'Dating burnout': saiba o que está por trás do cansaço nos apps de relacionamento

 

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Ansiedade, expectativas frustradas e o cansaço emocional após sucessivas experiências negativas em aplicativos de relacionamento têm ganhado um nome próprio: "dating burnout". Entre jovens da Geração Z, o fenômeno já aparece em pesquisas e também no comportamento de quem tenta encontrar conexões no ambiente digital.

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Segundo levantamento da Forbes, 79% dos jovens dessa geração afirmaram ter sentido algum nível desse desgaste em 2023. No mesmo período, uma das principais plataformas de namoro registrou queda de 8% no número de usuários pagantes, sinalizando uma possível mudança de comportamento no setor.

A experiência de Mayara, de 25 anos, ajuda a ilustrar o cenário. "Já aconteceu comigo duas vezes: na primeira, a conversa estava indo muito bem e a pessoa simplesmente sumiu; na segunda, sempre surgia algum tipo de frustração diferente. Comecei a sentir minha segurança emocional abalada e dei um tempo dos aplicativos tradicionais", conta.

O relato não é isolado. Uma pesquisa do site de relacionamento MeuPatrocínio, em parceria com o Instituto QualiBest, indica que a segurança emocional tem peso significativo nas escolhas afetivas da Geração Z: 38% dos entrevistados entre 18 e 29 anos apontam o fator entre os três mais importantes na hora de se relacionar.

Diante desse cenário, cresce uma mudança na forma como os jovens lidam com encontros e expectativas no ambiente digital. Como proteger as emoções e evitar o "dating burnout"? O especialista em comportamento afetivo e relacionamentos Caio Bittencourt sugere algumas estratégias para preservar a saúde mental na busca por conexões afetivas:

1. Identifique o que você procura

Antes de dar mais um passo rumo a frustrações e inseguranças, a principal orientação, segundo Caio, é uma ideia simples, embora nem sempre fácil de colocar em prática: "saber o que se quer".

"Se a pessoa não gosta de jogos ou dramas, o ideal é um formato que proporcione transparência e seja baseado em uma comunicação aberta e sincera; já se a falta de segurança financeira pesa no bem-estar, uma boa solução é considerar relacionamentos que tragam mais estabilidade e suporte", aponta.

2. Saiba onde buscar o que procura

Para o especialista, depois de entender o próprio desejo, o passo seguinte é escolher plataformas mais alinhadas a esse perfil de relação, com propostas mais segmentadas.

"Existem hoje diversas opções de sites especializados dentro do que o usuário procura. Então os jovens já buscam exatamente o que querem. Eles sabem onde procurar e também onde encontrar", explica Caio.

3. Invista no seu crescimento pessoal

Para lidar com a ansiedade e alinhar expectativas, o especialista destaca o papel do desenvolvimento pessoal como forma de fortalecer a autoestima e melhorar a forma como cada um se relaciona.

Quais atributos fazem diferença? De acordo com a pesquisa, 44% dos entrevistados da Geração Z apontam "ser gentil" como a principal qualidade em um parceiro ou parceira, enquanto 34% citam "ser inteligente".

"Investindo em si mesmo, no autoconhecimento, na leveza, no humor e nos hábitos diários, esse ou essa jovem naturalmente tem mais chances de atrair quem deseja", afirma o especialista.