Datafolha: Maioria diz ser 'muito importante' indicar mulher ao STF; 46%, religioso, e 46%, pessoa negra
Pesquisa Datafolha divulgada na noite desta segunda-feira mostrou que 51% dos brasileiros dizem ser "muito importante" indicar uma mulher ao Supremo Tribunal Federal (STF). Outros 27%, por sua vez, defendem que tal critério não tem importância. A avaliação ocorre após a derrota do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com a indicação do ministro Jorge Messias, que acabou sendo rejeitado pelo Senado. Apesar disso, como mostrou o GLOBO, o petista avisou a aliados que pretende reenviar a indicação. Atualmente, o STF conta com apenas uma ministra, Cármen Lúcia, que está no tribunal desde 2006 e tem previsão de se aposentar em 2029.
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Ainda em relação às mulheres, 18% consideram a indicação "pouco importante". Além disso, 46% dizem ser muito importante e 16% um pouco importante a indicação de uma pessoa negra ao Supremo, contra 34% que pensam o oposto.
Sobre religiosos, como é o caso de Jorge Messias — indicado, dentre outras razões, como uma maneira de Lula acenar ao eleitorado evangélico —, o percentual de quem considera muito importante alguém com tal perfil também é de 46%. 20% acham pouco importante e 31% entendem não haver nenhuma importância.
O Datafolha ouviu 2.004 eleitores, com mais de 16 anos, em 139 municípios do país, entre os dias 12 e 13 de maio. O nível de confiança na amostra é de 95%, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o código BR-00290/2026.
A cobrança pela indicação de uma mulher para a Corte aumentou após o anúncio de aposentadoria do ex-ministro Luís Roberto Barroso, no ano passado. Entidades divulgaram uma nota pública, em outubro, com os nomes de 13 mulheres que poderiam ocupar a cadeira.
'Padrão excludente'
A escolha de Messias gerou críticas das organizações que cobraram o governo. Segundo as entidades, a crítica à escolha de Messias não se deve à figura do advogado-geral da União em si, mas sim à "continuidade de um padrão excludente na composição do sistema de justiça brasileiro"..
"Governos que se afirmam progressistas precisam transformar seus discursos em práticas, garantindo que as políticas e escolhas institucionais reflitam o compromisso com a igualdade e a representatividade democrática", disse o comunicado assinado pelo Fórum Justiça, Plataforma Justa e Themis Gênero e Justiça.
Rejeição de Messias
A maioria dos brasileiros afirma não ter tomado conhecimento da rejeição, pelo Senado, do ministro Jorge Messias. De acordo com o mesmo levantamento, 59% disseram desconhecer o episódio — o equivalente a 6 em cada 10 entrevistados.
Outros 41% afirmaram ter tomado conhecimento da rejeição. Nesse grupo, 19% disseram estar bem informados sobre o caso, 18% se declararam mais ou menos informados e 4% afirmaram estar mal informados.
Entre os entrevistados que disseram conhecer o caso, 53% avaliaram que o governo saiu mais fraco após a derrota no Senado.
Outros 7% afirmaram que o Planalto ficou mais forte, enquanto 36% disseram que o episódio não alterou a força política do governo. Outros 4% não opinaram. Nesse recorte específico, a margem de erro é de três pontos percentuais.
