Datafolha: maioria condena pedido de dinheiro de Flávio a Vorcaro, mas 88% de seus eleitores ainda o querem na disputa
Novos números da pesquisa Datafolha divulgados ontem mostram como o caso “Dark horse” afetou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República para além da queda nas intenções de voto do senador. Para 64% dos eleitores, Flávio agiu mal ao pedir dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e atualmente preso, para uma cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A crise, porém, não foi suficiente para romper a fidelidade de sua base política. Entre seus eleitores, só 37% acham que ele errou ao recorrer ao banqueiro, que autorizou o repasse de R$ 61 milhões à produção do filme. Além disso, 88% dos seu eleitorado defendem que ele permaneça na disputa presidencial de 2026.
O site Intercept Brasil revelou, no último dia 13, que Flávio havia solicitado recursos financeiros ao então banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark horse”, baseado na trajetória política de Jair Bolsonaro. Vorcaro comandava a instituição liquidada pelo Banco Central e no centro de um dos maiores escândalos recentes do sistema financeiro brasileiro.
Conhecimento da conversa
A pesquisa Datafolha foi a campo depois das revelações sobre a relação de Flávio com Vorcaro. Em uma semana, o senador saiu de empate com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na simulação de segundo turno para uma diferença de quatro pontos. No primeiro turno, o petista abriu vantagem de nove pontos. O senador também encabeça o ranking de rejeição, que antes tinha o petista na ponta.
Segundo o Datafolha, 64% da amostra geral de entrevistados tomaram conhecimento de conversas entre o senador e Vorcaro — percentual inferior aos 72% dos eleitores de Flávio que afirmam saber do contato entre os dois. Entre seus apoiadores, 38% dizem estar bem informados sobre o episódio.
72% veem relação próxima
Para 72% dos eleitores, Flávio e Vorcaro têm uma relação próxima. Entre os que votam no senador, 54% acham que eles têm proximidade. Mesmo assim, o impacto político dentro da base foi limitado. Para 73% dos eleitores do senador, a confiança nele permanece inalterada.
Pressionado pelo próprio partido a explicar sua relação com Vorcaro, Flávio admitiu na semana passada que fez uma visita ao dono do Master depois de ele ser preso, no fim de 2025. À época, Vorcaro usava tornozeleira eletrônica e estava impedido de deixar São Paulo. Flávio sustenta que só foi ao encontro do banqueiro para colocar um “ponto final” em questões relacionadas ao patrocínio do longa.
A crise instalada na pré-campanha derrubou o marqueteiro contratado pelo senador para cuidar de sua imagem, o publicitário Marcello Lopes, o Marcellão. Ele estava nos Estados Unidos durante a semana mais crítica para a comunicação do pré-candidato, o que gerou contrariedade entre pessoas próximas ao senador. Assumiu a função Eduardo Fischer (leia mais sobre os marqueteiros dos principais presidenciáveis na página 8).
Jair Bolsonaro e o PL descartam trocar a candidatura, mas o prazo estipulado para tomar uma decisão é o início de junho, conforme noticiou O GLOBO. O Datafolha perguntou se, após a divulgação dessas conversas, Flávio deveria manter sua candidatura a presidente ou deveria abrir mão e apoiar outro candidato: 48% acham que deveria abrir mão.
Além disso, a pesquisa mostra que entre quem já pensava em votar em Flávio, 67% não tiveram a confiança alterada após as mensagens. O senador passa este fim de semana em Brasília em conversas com o pai, sem agenda pública.
