Datafolha: apelo por Neymar na Copa vai a 62% entre apoiadores de Flávio Bolsonaro contra 46% entre os de Lula

 

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A defesa da convocação de Neymar para a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026 é bem maior entre os eleitores que pretendem votar em Flávio Bolsonaro (PL) do que entre aqueles que planejam apoiar Lula (PT). Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, na amostra geral, 53% da população querem ver o jogador no Mundial.

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Entre os apoiadores do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, com margem de erro de quatro pontos percentuais, o apelo pela convocação do atacante do Santos vai a 62%, ante 26% contrários à chance para o jogador. Entre os que declararam voto em Lula, com margem de erro de três pontos, 46% defendem a presença de Neymar no Mundial e 43%, não.

Em 2022, o atleta afirmou publicamente seu apoio ao então candidato à reeleição Jair Bolsonaro. Em live com o ex-presidente, que acabou derrotado por Lula, Neymar disse que o apoio era uma retribuição à ajuda que recebeu no "pior momento" de sua vida. Sem mencionar a que se referia, o craque disse que Bolsonaro foi o "primeiro a se posicionar publicamente" ao seu lado — no que, à época, foi interpretado como uma menção indireta a uma acusação de estupro que foi arquivada meses depois por falta de provas.

— Quando vi o que aconteceu, senti no meu coração que também deveria retribuir esse mesmo carinho que ele teve comigo sem ao menos me conhecer. A gente nem tinha se falado, [nem] tinha se conhecido pessoalmente. E ele botou ali o peito dele na frente, a cara na frente, sendo julgado e tudo, e acreditou em mim. Então eu estou fazendo o mesmo. Eu acredito no presidente, acredito que ele é o cara certo para conduzir o nosso Brasil — disse Neymar, em 2022.

O apelo por Neymar também é maior entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, cuja porção de 65% apoiam a convocação. Esse número vai caindo conforme aumenta a idade do entrevistado. Na faixa etária de 60 anos ou mais, 46% se disseram favoráveis à ida do jogador para o Mundial.

Principal nome do futebol brasileiro na década de 2010, Neymar chega ao momento decisivo da convocação cercado por dúvidas sobre sua condição física e desempenho recente. Nas últimas temporadas, o atacante acumulou problemas físicos e não conseguiu retomar o nível apresentado no auge da carreira, especialmente após a grave lesão no joelho esquerdo sofrida em outubro de 2023.

À época, o jogador já defendia o Al Hilal, mas teve pouca participação. Em pouco mais de um ano e cinco meses no clube saudita, entrou em campo apenas sete vezes, com um gol e duas assistências, sem conseguir sequência.

Apoio a Neymar cresce

A lista dos 26 jogadores convocados será anunciada em 18 de maio. De acordo com o levantamento, realizado entre os dias 7 e 9 de abril, 34% do total de entrevistados são contrários à chance ao atacante, enquanto 8% se disseram indiferentes e 5% não souberam responder. Os dados indicam crescimento do apoio ao nome do jogador em relação à rodada anterior da pesquisa.

Em junho do ano passado, 48% dos brasileiros eram favoráveis à presença de Neymar na seleção, enquanto 41% se posicionavam contra. A nova sondagem mostra redução da rejeição e aumento da parcela que defende a inclusão do atacante na lista final.

O Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 7 e 9 de abril, em 137 municípios. A margem de erro para a amostra total é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

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No início de 2025, retornou ao Santos, onde iniciou a carreira, com o objetivo declarado de recuperar a forma e voltar à seleção brasileira. O primeiro ano, no entanto, ficou aquém das expectativas. A equipe teve como principal conquista evitar o rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro.

Desde então, Neymar soma 36 partidas pelo Santos — 28 em 2025 e oito em 2026 —, com 15 gols e sete assistências. Apesar de momentos pontuais de protagonismo, sobretudo na reta final do Brasileiro, o atacante enfrentou dificuldades para manter regularidade, em meio a novas lesões musculares e ligamentares.

No dia seguinte à declaração, o atacante teve atuação discreta no clássico contra o Corinthians. Logo depois, ficou fora da última convocação de Carlo Ancelotti antes da divulgação da lista final para a Copa do Mundo, aumentando a incerteza sobre sua presença no torneio.

Brasileiros não acreditam no hexa

A menos de dois meses da abertura da Copa do Mundo de 2026, a confiança dos brasileiros na seleção atinge o menor nível em quase três décadas. Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (15), apenas 29% da população acreditam no título da equipe comandada por Carlo Ancelotti. O torneio será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México.

No levantamento, a França aparece como principal alternativa ao Brasil, com 17% das menções, seguida por Argentina e Alemanha, com 4% cada. Outros países, como Portugal, Espanha, Estados Unidos e Inglaterra, foram citados por ao menos 1% dos entrevistados. A soma dos rivais (34%) supera o índice brasileiro, indicando perda de protagonismo histórico.

Desde 1994, o Datafolha mede a confiança no título brasileiro. Até 2014, os índices superavam 56%, com pico em 2006. Após o traumático 7 a 1 para a Alemanha, no Mundial disputado no Brasil, a relação entre torcida e seleção se deteriorou. Desde então, o favoritismo nunca mais se consolidou plenamente.

Agora, às vésperas de mais uma Copa, o país que construiu sua identidade em torno do futebol chega ao torneio sob um cenário raro: menos esperança do que dúvida.