Durante anos, a silhueta com cintura muito marcada, quadris volumosos e abdômen definido ocupou um lugar central no imaginário da beleza. Associado principalmente a figuras como Kim Kardashian, Kylie Jenner, Cardi B e Nicki Minaj, esse padrão ultrapassou as redes sociais e também chegou aos consultórios de cirurgia plástica. Agora, porém, a discussão sobre contorno corporal começa a incorporar outra preocupação: em vez de reproduzir uma proporção específica, como encontrar um resultado que faça sentido para cada corpo. Saiba: Por que a naturalidade virou desejo também quando o assunto é o nariz Entenda: Por que o corpo de uma mulher ainda vira assunto tão facilmente? Essa mudança não significa que as curvas deixaram de ser desejadas. O que parece ganhar espaço é uma abordagem menos baseada em medidas isoladas e mais atenta ao conjunto. Na lipoaspiração, por exemplo, o planejamento considera regiões como cintura, abdômen, quadril e tronco de maneira integrada, levando em conta a estrutura individual. "Cada paciente possui uma estrutura diferente. Altura, largura do tronco, quadril, caixa torácica e distribuição da gordura interferem no resultado. Uma fotografia pode mostrar uma referência estética, mas não pode funcionar como molde. O planejamento precisa partir do corpo que temos diante de nós", explica o cirurgião plástico Jorge Seba. Kylie Jenner Reprodução Instagram A cintura mais fina possível deixou de ser o objetivo? A pergunta, segundo o especialista, pode ser menos sobre quanto é possível reduzir e mais sobre qual resultado mantém uma relação equilibrada entre as diferentes partes do corpo. Formato das costelas, largura da pelve, estrutura do tronco e distribuição de gordura influenciam diretamente o contorno. Por isso, a retirada máxima de tecido adiposo não necessariamente produz um resultado mais harmônico. "Existe um limite entre definir e exagerar. A gordura também participa do desenho corporal. Em determinadas regiões, preservar volume é justamente o que permite manter curvas naturais e criar uma transição harmoniosa entre cintura, abdômen e quadril", pontua.
Kim Kardashian Reprodução Instagram A discussão também acontece em um momento em que as próprias referências das redes sociais passaram a ser mais questionadas. Fotografias podem reunir filtros, edição, poses, iluminação e ângulos específicos, criando uma imagem que nem sempre corresponde ao corpo fora da tela. Essa distância entre referência e realidade pode se tornar especialmente relevante quando uma imagem serve de inspiração para um procedimento cirúrgico. Uma fotografia pode indicar uma preferência estética, mas não determina o que é possível reproduzir em outra pessoa. "Um resultado bonito não é necessariamente aquele com a menor cintura possível. É aquele em que as proporções conversam entre si. Cirurgia plástica responsável trabalha com possibilidades reais, não com a promessa de copiar o corpo de outra pessoa", afirma. Cardi B Reprodução Instagram As curvas continuam em cena, mas já não precisam seguir uma única fórmula. Entre referências que vêm das redes e o que cada corpo permite construir, a beleza abre espaço para escolhas mais individuais. Nicki Minaj Reprodução Instagram
O Globo