'Dark horse': alvo de operação autorizada por Dino é acusado de feminicídio e de integrar o PCC

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A operação da Polícia Federal sobre a utilização de emendas parlamentares por empresas ligadas ao deputado federal Mário Frias (PL-SP) e Karina da Gama, proprietária da produtora GO UP Entertainment — produtora do filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro —, tem como alvo um homem acusado de ser do Primeiro Comando da Capital (PCC) e que responde por feminicídio.

Trata-se do empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, de 40 anos, autodenominado “Escorpião do PCC", com condenações por roubo, estelionato, receptação e falsa identidade, além de réu em um processo por feminicídio. Santos foi condenado pela Justiça por roubo majorado (com emprego de arma e restrição da liberdade da vítima), estelionato, receptação e falsa identidade. O acusado possui diversas sentenças de longo prazo, que somam 34 anos de prisão. Santos passou 13 anos preso em regime fechado, inclusive na Penitenciária II de Presidente Venceslau, unidade que abrigava a cúpula do PCC. Segundo o Ministério Público, ele se vangloriava de ser um "escorpião do PCC", termo usado para identificar membros da facção, e afirmava ter "irmãos" dentro da organização. A afirmação foi registrada em áudio gravado por um vizinho de Santos, em que o acusado diz: “Tenho escorpião do PCC e num devo satisfação". Em 2003, ele foi acusado de participar do sequestro de um parente do deputado estadual Eduardo Suplicy (PT-SP).

Ligação com Karina da Gama A ligação de Bispo com Karina da Gama se deu por meio da Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., empresa dele que foi subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil, de propriedade de Karina, para implantar 5 mil pontos de wi-fi em comunidades das regiões Oeste e Sul de São Paulo, por meio de um programa da prefeitura de São Paulo. A investigação encontrou uma transação financeira feita entre o ICB e a Favela Conectada no valor de R$ 2 milhões. O contrato de Karina, via ICB, é alvo de um inquérito policial devido à suspeita de que parte dos recursos municipais pagos pela contratação da rede de internet tenha sido desviada para a Go Up Entertainment, do filme sobre Bolsonaro.

Iniciado em março, o inquérito paulista teve sua prorrogação de 90 dias autorizada pela Justiça. A decisão, de 31 de agosto, também versa sobre um pedido da Polícia Civil para que possa ter acesso aos dados financeiros de Karina e suas empresas, mas a medida não foi autorizada. O motivo foi a ausência de indícios que apontem a necessidade da quebra do sigilo, pois o delegado do caso não individualizou seus elementos de prova no processo. "O requerimento final limita subjetivamente a providência ao Instituto Conhecer Brasil - ICB e a Karina Ferreira da Gama e estabelece como marco temporal inicial o dia 20 de junho de 2024. Entretanto, postula genericamente o fornecimento de relatórios detalhados sobre as movimentações atípicas e comunicações de operações suspeitas, sem indicar suficientemente quais operações, pessoas jurídicas, relações negociais ou fluxos financeiros relacionados ao objeto específico do inquérito deverão orientar a pesquisa perante o COAF", afirma a Justiça, em decisão obtida pelo GLOBO. O caso está em sigilo. Na decisão, o juiz afirma que a polícia solicitou à prefeitura mais informações sobre o contrato, mas que ainda não havia anexado os dados ao processo quando pediu acesso às informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Moradora da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, Karina é ligada ao deputado federal Mario Frias (PL-SP), que assina o roteiro do filme e também alvo da operação da PF desta quinta. Ela possui em seu nome cinco empresas — além da ONG e da produtora, tem a Conhecer Brasil Assessoria, a Upcon Serviços Especializados Ltda. (com filial em Goiás) e a Academia Nacional de Cultura. O contrato com a prefeitura de Ricardo Nunes (MDB) começou a ser executado em 2024 e deveria atingir os 5 mil pontos de wi-fi em 2025, mas no momento tem 3,2 mil instalações na capital paulista. Na ocasião da abertura do inquérito, a prefeitura afirmou, em nota, “que a produção do filme citado não recebeu recursos municipais e qualquer relação entre a contratação do Instituto Conhecer Brasil e a produção cinematográfica é descabida. O contrato do ICB foi fechado em junho de 2024, pelo menos um ano antes do início da produção do filme", disse a gestão Nunes, em nota.

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