Dançarinos em show de Alok no Rock in Rio fazem parte de grupo italiano e estiveram com DJ no Coachella

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Alok, como de praxe, entregou um show para o público ouvir com os olhos. Em apresentação nesta sexta-feira (11), no Palco Mundo do Rock in Rio, o DJ brasileiro pôs diante da plateia um painel humano em movimento: 45 bailarinos executaram coreografias de precisão milimétrica, transformando braços, mãos e corpos em formas geométricas que pareciam nascer de algum truque digital, numa obra que facilmente poderia compor alguma ala de um desfile de escola de samba. Por trás da performance está o Urban Theory, coletivo italiano que se tornou parceiro recorrente do goiano. Rock in Rio: No dia do k-pop, festival registra centenas de atendimentos por crise de pânico e ansiedade O SEU ROCK IN RIO: MONTE O SEU LINE-UP IDEAL EM JOGO INTERATIVO Sim, a colaboração entre Alok e o grupo de street dance não começou na Cidade do Rock. Ambos chamaram atenção juntos em abril de 2025, quando o brasileiro estreou no Coachella, na Califórnia. À época, cerca de 50 performers participaram de uma coreografia concebida com o Urban Theory que funcionava como uma espécie de telão feito de gente: em perfeita sincronia, os bailarinos criavam ondas, desenhos e ilusões visuais apenas com os próprios movimentos. O mesmo espetáculo foi levado, agora, ao Rock in Rio.

Coreografia de mãos impressiona no show de Alok Em meio ao avanço da inteligência artificial na produção artística, Alok sugere que tem a inteção de fazer o público duvidar do que está vendo — para, em seguida, lembrar que aquilo é, a rigor, obra humana. Durante o Coachella, a mensagem “This is not AI” (“Isto não é inteligência artificial”) apareceu nos telões, enquanto o DJ vestia uma camiseta com a frase “Keep art human” (“Mantenha a arte humana”), mote que acabou batizando o projeto levado agora ao Rock in Rio. Irônico que o tal recado venha à tona enquanto o DJ aperta botões e carrapetas para executar... música. Quem é o Urban Theory? Criado em 2016, o Urban Theory surgiu como uma equipe de seis dançarinos e coreógrafos italianos especializados em tutting, estilo de dança urbana marcado pela combinação de mãos, braços e outras partes do corpo para produzir linhas, ângulos e figuras geométricas com ilusionismo. É justamente essa técnica que dá às performances do grupo o aspecto de animação ou efeito especial.

O DJ goiano Alok tem 35 anos Marcelo Theobald / Agência O Globo Antes da parceria com Alok, o coletivo já havia construído currículo internacional. Em 2019, recebeu uma menção honrosa no reality show “Italia's got talent”. Depois vieram uma participação no “The Tonight Show”, de Jimmy Fallon, uma apresentação na final do Festival de Sanremo, além de trabalhos no Eurovision de 2022 e em eventos como finais da Copa da Itália. Hoje, o Urban Theory se apresenta também como uma companhia criativa, responsável não só por coreografias, mas por projetos audiovisuais, eventos e produções desenvolvidas para diferentes marcas e artistas. A parceria com Alok ganhou uma dimensão maior justamente depois do Coachella. O espetáculo apresentado nos Estados Unidos virou ponto de partida para o Keep Art Human, projeto em que o DJ justapõe tecnologia e "trabalho humano", como ele diz. Traduz-se: enquanto lasers, drones e outros recursos digitais compõem efeitos visuais arrojados em suas apresentações, chama atenção no palco uma coreografia de altíssima complexidade que depende da sincronia entre dezenas de pessoas — e aí não há inteligência artificial que dê conta de solucionar problemas.

Quando levou o conceito ao Brasil, em junho de 2025, no Pacaembu, em São Paulo, Alok ampliou também o método de trabalho com o Urban Theory. Em vez de transportar dezenas de integrantes de um país para outro, o coletivo passou a selecionar e preparar bailarinos locais. Para aquele espetáculo, 45 brasileiros foram treinados pelos coreógrafos italianos. A ideia passou a ser reproduzida em outras paradas internacionais do projeto, com artistas locais aprendendo a linguagem criada pelo grupo. Na estreia europeia do “Keep art human”, em Malta, por exemplo, o Urban Theory treinou durante 15 dias bailarinos de uma escola local para dividir o palco com Alok. O formato permite que a coreografia viaje sem perder seu elemento central: dezenas de pessoas precisam funcionar quase como um único organismo, construindo imagens coletivas diante do público.

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