Daltonismo: muitas pessoas não sabem que têm a condição; você é uma delas? Entenda

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O daltonismo pode passar anos sem ser identificado. Uma criança usa uma cor inesperada para pintar um objeto, um adulto tem dificuldade para interpretar um gráfico ou alguém descobre quase por acaso que não distingue tonalidades que, para outras pessoas, parecem claramente diferentes. Para quem nasceu com daltonismo, não existe necessariamente a sensação de estar enxergando "errado": essa sempre foi a sua forma de perceber as cores. E a condição está longe de ser rara. Segundo o National Eye Institute (NEI), dos Estados Unidos, aproximadamente um em cada 12 homens apresenta algum tipo de deficiência na visão das cores. Dar descarga no vaso sanitário pode liberar uma nuvem de vírus e bactérias inaláveis (mesmo com a tampa fechada) Alterações no metabolismo causadas por adoçantes podem ser transmitidas para gerações futuras, diz estudo O termo daltonismo engloba diferentes alterações na percepção das cores e não significa que todas as pessoas afetadas enxerguem da mesma forma ou vejam o mundo em preto e branco. As formas hereditárias mais comuns comprometem a diferenciação entre determinados tons de vermelho e verde e afetam muito mais os homens devido a uma particularidade genética. Também existem alterações menos frequentes relacionadas ao azul e ao amarelo, além de diferentes níveis de comprometimento. Os especialistas ainda distinguem o daltonismo presente desde o nascimento das mudanças na percepção das cores que surgem ao longo da vida e podem ser consequência de doenças ou do uso de determinados medicamentos. A expressiva diferença entre homens e mulheres é explicada pela genética. Os genes envolvidos nas deficiências hereditárias mais comuns relacionadas ao vermelho e ao verde estão localizados no cromossomo X. Os homens possuem um cromossomo X e um Y, enquanto as mulheres têm dois cromossomos X. Por isso, uma alteração genética no único cromossomo X de um homem pode ser suficiente para que a condição se manifeste. Já nas mulheres, geralmente é necessário que a alteração esteja presente nos dois cromossomos X para o desenvolvimento do daltonismo. O efeito da alteração genética se manifesta na retina, tecido sensível à luz localizado na parte posterior do olho. Nela estão os cones, células fotorreceptoras fundamentais para a percepção das cores. Existem três tipos de cones, cada um sensível a diferentes comprimentos de onda da luz. A combinação dos sinais produzidos por essas células e o processamento dessas informações pelo cérebro permitem a distinção da enorme variedade de cores percebidas por uma pessoa. Quando algum desses sistemas funciona de maneira diferente, a capacidade de diferenciar determinadas tonalidades também muda. Milagre: casal que caminhava de mãos dadas sobrevive após ser atingido por raio em trilha na Flórida — O daltonismo pode se apresentar de diferentes formas e afetar a percepção das cores de maneira variável — explica Lucas Viana, médico oftalmologista especializado em neuro-oftalmologia do Charles Centro Oftalmológico. — Na maioria dos casos, a pessoa tem dificuldade para diferenciar determinadas cores ou tonalidades e pode conviver com essa condição durante anos sem saber —acrescenta. Um dos erros mais comuns é imaginar que existe apenas uma forma de enxergar para todas as pessoas daltônicas, como se fosse um filtro que alterasse as cores sempre da mesma maneira. A alteração hereditária mais frequente compromete a distinção entre tons relacionados ao vermelho e ao verde, mas existem outros tipos e diferentes graus de severidade. Em situações mais extremas, embora muito mais raras, a percepção das cores pode ser severamente comprometida. A oftalmologista Adriana Tytiun acrescenta uma observação importante sobre a ideia de que uma pessoa daltônica simplesmente “confunde” duas cores.

— Não é que elas confundam as cores. Elas não as veem, e o cérebro tenta entender aquilo que não consegue enxergar — afirma. Lembra dele? Veja como ficou menino conhecido por fumar 40 cigarros por dia aos 2 anos na Indonésia A capacidade de distinguir as cores também depende do grau da alteração. Em alguns casos, cores muito saturadas podem ser identificadas, enquanto déficits mais importantes tornam essa tarefa muito mais difícil. Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas chegam à vida adulta sem saber que têm a condição.

— O paciente daltônico não sabe que enxerga de forma diferente. Em geral, são os pais que percebem que algo está acontecendo — explica Tytiun, ressaltando que a compensação feita pelo cérebro é limitada e depende da intensidade do déficit. Nas crianças, os primeiros sinais costumam aparecer durante o aprendizado das cores ou em atividades escolares. Já nos adultos, a dificuldade pode se tornar evidente ao lidar com mapas, gráficos, sinalizações ou tarefas que exigem a diferenciação precisa de tonalidades. Menino adota filhote encontrado na estrada e família descobre condição rara do animal Para diagnosticar a condição, existem testes específicos. Um dos mais conhecidos é o teste de Ishihara, composto por lâminas formadas por círculos de diferentes cores e tamanhos, nas quais aparecem números ou figuras. Dependendo da capacidade de discriminação das cores, algumas pessoas conseguem identificar determinados padrões e outras não. Tytiun também cita o teste de Farnsworth, que utiliza tonalidades menos saturadas e permite detectar alterações na visão cromática com maior sensibilidade. Os testes virais: um fenômeno diferente De tempos em tempos, uma imagem divide opiniões nas redes sociais: duas pessoas observam exatamente a mesma fotografia e afirmam estar vendo cores completamente diferentes. O exemplo mais famoso foi o “vestido”, que em 2015 algumas pessoas enxergavam como azul e preto, enquanto outras o viam branco e dourado. Também circularam fotos de tênis e outros objetos acompanhadas da pergunta: “De que cor você vê isso?”. Embora pareçam testar a percepção das cores, esses fenômenos não são testes de daltonismo. — O famoso teste do vestido não tem nada a ver com cegueira para cores. Trata-se da interpretação cerebral dos diferentes níveis de luz e sombra sobre uma mesma cor — explica Tytiun. Nessas fotografias, existe uma informação ambígua sobre as condições de iluminação. Anvisa aprova 9 canetas emagrecedoras nacionais em 2026: veja a lista — Isso normalmente não acontece quando observamos algo real. Quem não tem deficiência na visão das cores concorda que verde é verde e vermelho é vermelho. Depois podemos discutir se é um verde-musgo ou verde-água — exemplifica a especialista. Há ainda uma diferença médica fundamental entre enxergar as cores de determinada forma desde o nascimento e passar a vê-las de maneira diferente em algum momento da vida. Embora as formas mais comuns de daltonismo sejam hereditárias, alterações na visão das cores também podem ser adquiridas por doenças que afetam a retina, o nervo óptico ou determinadas áreas do cérebro, além de estarem associadas ao uso de alguns medicamentos. — Quando uma pessoa percebe uma mudança na forma como enxerga as cores, é importante procurar um oftalmologista. Não é a mesma coisa ter uma alteração presente desde o nascimento ou desenvolver essa mudança posteriormente — alerta Viana. Ele acrescenta: — É fundamental identificar a causa das alterações adquiridas na percepção das cores, pois essa mudança pode estar associada a situações de diferentes naturezas e relevância clínica. Caminhada 6-6-6: entenda como funciona o método de atividade física que combina horário, duração e regularidade Atualmente, não existe cura para o daltonismo de origem genética que permita restaurar uma visão normal das cores. Existem lentes e filtros especiais que, em alguns casos, podem melhorar o contraste entre determinadas tonalidades e facilitar atividades do dia a dia, mas eles não corrigem a alteração de base nem restabelecem uma percepção cromática normal. Ainda assim, a maioria das pessoas desenvolve estratégias para lidar com situações em que as cores têm papel importante. “O mais importante é que a pessoa conheça a forma como percebe as cores e consiga identificar como isso pode influenciar sua vida cotidiana”, conclui Viana.

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