Dados que encurtam diagnósticos e ampliam a eficiência do sistema de saúde brasileiro
A dificuldade em diagnosticar doenças de forma rápida e precisa permanece como um dos principais gargalos do sistema de saúde brasileiro. Em muitos casos, o desafio não está na ausência de profissionais ou de recursos clínicos, mas na fragmentação das informações ao longo da jornada do paciente. Dados dispersos em diferentes sistemas, prontuários incompletos e a falta de integração entre registros clínicos comprometem a agilidade do diagnóstico e a escolha do tratamento mais adequado.
Nos últimos anos, a inteligência de dados tem se consolidado como uma ferramenta estratégica para enfrentar esse problema. A capacidade de organizar, estruturar e analisar grandes volumes de informações clínicas permite identificar padrões de doenças, compreender melhor a evolução dos pacientes e apoiar decisões médicas mais embasadas. Esse movimento acompanha uma tendência global de uso de dados do mundo real para qualificar tanto o cuidado assistencial quanto a gestão em saúde.
Nesse contexto, plataformas especializadas em inteligência aplicada à saúde vêm ganhando espaço ao atuar na transformação de dados não estruturados em informações acionáveis. A proposta é reduzir a distância entre o registro clínico e a tomada de decisão, tornando mais visível a trajetória da doença desde os primeiros sintomas até a resposta aos tratamentos adotados.
A iHealth atua nesse segmento ao processar informações clínicas provenientes de prontuários, exames e registros assistenciais, oferecendo uma leitura integrada da jornada do paciente. Ao consolidar dados antes dispersos, a plataforma contribui para diagnósticos mais precisos, redução de erros e maior eficiência na condução dos tratamentos, beneficiando tanto redes hospitalares quanto a indústria farmacêutica.
Segundo Karlyse Claudino Belil, doutora em Ciências da Saúde e diretora de Negócios e Dados da iHealth, a organização da informação é um fator decisivo para melhorar o desempenho do sistema. “Quando os dados estão fragmentados, o sistema perde tempo e capacidade de resposta. Ao estruturar essas informações, conseguimos apoiar diagnósticos mais rápidos e oferecer uma visão mais completa do paciente”, afirma.
Além de acelerar o diagnóstico, a análise integrada de dados permite identificar doenças que costumam ser subdiagnosticadas, especialmente em regiões com menor acesso a especialistas. “Os dados ajudam a revelar padrões clínicos que muitas vezes não aparecem em análises isoladas. Isso contribui para reconhecer precocemente determinadas condições e entender como elas se manifestam em diferentes perfis de pacientes”, explica Karlyse.
Outro impacto relevante está no apoio à indústria farmacêutica, que passa a ter acesso a informações mais qualificadas sobre a efetividade dos tratamentos na prática clínica. A leitura do mundo real permite compreender como as terapias são utilizadas no dia a dia dos hospitais, quais protocolos apresentam melhores desfechos e onde existem oportunidades de aprimoramento. Esse tipo de evidência vem sendo cada vez mais valorizado em decisões estratégicas do setor.
Para a executiva, a inteligência de dados não substitui o olhar clínico, mas amplia a capacidade de resposta do sistema de saúde. “A tecnologia entra como suporte estratégico. Ela organiza informações complexas e oferece subsídios para que médicos e gestores tomem decisões mais embasadas, com foco em melhores desfechos para os pacientes”, conclui.
