Dados do Banco Central apontam que juros do cartão sobem e crédito perde ritmo, causando aperto às famílias

 

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Dados divulgados nesta segunda-feira (dia 30) pelo Banco Central (BC) apontam que o aumento dos juros do cartão de crédito, especialmente no rotativo, tem encarecido o crédito no país e pressionado o orçamento das famílias.

Em fevereiro, a taxa média de juros para pessoas físicas chegou a 62,0% ao ano, com destaque para a alta nas operações do cartão de crédito rotativo, uma das modalidades mais caras do mercado. Nesse tipo de crédito, houve uma elevação da taxa média, de 11,4 pontos percentuais no período.

O rotativo é acionado quando o consumidor não paga o valor total da fatura do cartão e entra automaticamente em uma linha de crédito com juros elevados. Com o encarecimento dessa modalidade, cresce o risco de endividamento e atraso nos pagamentos.

Volume total de crédito

Ao mesmo tempo, o volume total de crédito no país continuou aumentando, mas em ritmo mais lento. O saldo das operações chegou a R$ 7,1 trilhões em fevereiro, alta de 0,4% no mês e de 9,6% em 12 meses — abaixo do observado anteriormente.

O avanço segue sendo puxado pelas famílias. O crédito para pessoas físicas cresceu 0,6% no mês e acumula alta de 11,2% em um ano, indicando que os consumidores continuam recorrendo a empréstimos para manter o consumo, mesmo com o custo mais elevado.

Esse cenário tem impacto direto no bolso. Com juros mais altos, aumentou o número de pessoas com dificuldade para pagar dívidas. No total do sistema financeiro, 4,3% das operações estão com atraso. Entre as famílias, o índice é maior e chegou a 5,2%.

Peso das dívidas

O peso das dívidas no orçamento também segue elevado. O endividamento das famílias está em 49,7% da renda anual, enquanto o comprometimento mensal — que mede quanto da renda já está reservado para pagar dívidas — chegou a 29,3%.

Na prática, isso significa que, de cada R$ 100 que uma família ganha por mês, cerca de R$ 29 já estão comprometidos com parcelas de empréstimos e financiamentos.

Apesar do cenário mais apertado, os bancos ainda liberaram R$ 602,3 bilhões em novos empréstimos em fevereiro. Ainda assim, houve leve queda nas concessões na comparação mensal com ajuste sazonal, indicando perda de fôlego na demanda por crédito.

Em uma visão mais ampla da economia, que inclui também outras formas de financiamento além dos bancos, o volume total de crédito atingiu R$ 21 trilhões — equivalente a 163,7% de tudo o que o país produz em um ano.