Da periferia para a pós-graduação: curso gratuito no Sesc prepara candidatos a mestrado e doutorado
O sonho é fazer mestrado ou doutorado, mas muita gente ainda se depara com barreiras históricas. Falta de acesso à informação e dificuldade para estruturar projetos de pesquisa, por exemplo, seguem afastando pessoas negras e periféricas da pós-graduação. Para tentar mudar esse quadro, o Sesc RJ abriu novas turmas gratuitas de um curso preparatório voltado a esse público.
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A iniciativa chega ao quinto ano em 2026 e terá formações presenciais nas unidades de Madureira e Ramos, além de turmas virtuais no segundo semestre. O projeto é destinado a estudantes com graduação completa que desejam disputar vagas em programas de mestrado e doutorado.
No Sesc Madureira, haverá aulas neste sábado (23) e no próximo, das 9h30 às 17h30. Durante o curso, os alunos receberão orientações sobre editais de pós-graduação, elaboração de projetos de pesquisa, metodologia científica, debates nas áreas de ciências humanas e sociais e inglês instrumental. A proposta é que terminem a formação com projeto estruturado para futuras seleções.
Além da turma de Madureira, o calendário prevê nova edição presencial no Sesc Ramos, no próximo mês. As inscrições serão abertas entre 5 e 9 de junho, com aulas previstas para os dias 13 e 27 do mesmo mês.
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O projeto também terá turmas virtuais no segundo semestre, organizadas por diferentes unidades do Sesc no estado, como a da Tijuca. Cada turma contará com 40 vagas, e os critérios de seleção incluem ordem de inscrição, recorte racial e moradia próxima ao local onde o curso será realizado.
Criado em 2022 dentro do Projeto Consciências, da área de Educação do Sesc RJ, o preparatório é feito em parceria com o Coletivo Pier, formado por pesquisadores negros que atuam na promoção da educação antirracista.
Para Adriano Rocha, analista de Educação do Sesc RJ, iniciativas como a da instituição ajudam a romper barreiras ainda presentes nas universidades e ampliam o reconhecimento de saberes produzidos em territórios periféricos.
— A academia, por muito tempo, atuou na manutenção de desigualdades raciais ao restringir o acesso a espaços historicamente reconhecidos como produtores de conhecimento. Isso contribuiu para consolidar uma lógica que privilegiou uma ciência hegemônica e eurocentrada, muitas vezes excluindo saberes tradicionais e populares — afirma.
Segundo ele, existe uma grande produção de conhecimento e de experiências que precisa ocupar espaços acadêmicos.
— Quando mais pessoas negras e periféricas acessam o mestrado e o doutorado, mais ampliamos perspectivas e fortalecemos a produção de novos olhares e conhecimentos.
Mais informações podem ser obtidas no site www.sescrio.org.br.
*Esta reportagem faz parte do especial Educação do GLOBO-Zona Norte, que será publicado em 23/5
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