Da nudez ao topless, confira o que pode ou não no carnaval; julgamento muda em 2026, com subquesitos

 

Fonte:


Enquanto confetes e serpentinas tomam as ruas com os blocos e cortejos, a Marquês de Sapucaí abre seus portões para outra parte dessa festa profana (ou não). A partir desta sexta-feira, começa a temporada de desfiles das escolas de samba, que vai até a terça-feira de carnaval, entre Série Ouro e Grupo Especial. Enquanto nas arquibancadas o público se diverte e se emociona, na Avenida é preciso pular e cantar, mas com o regulamento embaixo do braço. Ao longo desta semana, O GLOBO publicou em seu site a série de matérias “Vale isso?”, sobre as regras dos desfiles, que tem mudanças no julgamento neste ano.

Programe-se: Já decidiu onde vai pular carnaval? Confira a ferramenta de blocos do GLOBO

Carnaval RJ 2026: conheça os enredos e ouça os sambas das escolas do Grupo Especial

Nesta época em que as fantasias nem sempre estão ali com o intuito de cobrir algo, na passarela do samba há regra: a genitália desnuda é proibida. A origem desse artigo é em 1989, quando a modelo Enoli Lara fez o primeiro nu frontal dos desfiles, como destaque em desfile da União da Ilha (enredo “Festa profana”).

1989: Enoli Lara e sua genitália desnuda

Marcelo Régua

O episódio fez com que a proibição surgisse no regulamento de 1990, ano em que o ator Jorge Lafond, como destaque da Beija-Flor (enredo “Todo mundo nasceu nu”), cobriu suas intimidades com apenas um pompom laranja. Por isso, o veto se estendeu. Atualmente, tanto na elite, como no grupo de acesso, a regra é de proibição de “genitália à mostra, decorada e/ou pintada”.

Ator Jorge Lafond e o pompom cobrindo o pênis durante o desfile da Beija-Flor: isso fez o regulamento proibir também pessoas com genitália decorada

Guilherme Bastos / 25-02-1990

'Vale isso?': Pode desfilar pelado na Sapucaí? Entenda

Em 2022, Mayara Lima, então princesa de bateria do Paraíso do Tuiuti — no ano seguinte, ela assumiu o posto de rainha —, precisou segurar a parte debaixo de sua roupa após a peça arrebentar. Naquele ano, isso virou assunto, pois, caso a genitália tivesse ficado à mostra, a escola poderia perder meio ponto na apuração, por penalização.

A São Clemente, que brigava contra o rebaixamento com o Tuiuti, chegou a entrar com um recurso sobre o tema, mas desistiu após ir para o grupo de acesso com quase três pontos de distância para a coirmã.

Mayara Lima, enquanto ainda era princesa de bateria, segurando a fantasia durante desfile do Tuiuti em 2022

Domingos Peixoto / Agência O Globo / 26-04-2022

Match dos blocos: faça o teste e descubra quem é você no carnaval de rua do Rio

Baiano e merchan

Uma das alas mais tradicionais do carnaval, criada para homenagear as “tias” que abrigaram os primeiros sambistas, também tem regra. Apenas mulheres podem desfilar na ala de baianas, tanto no Grupo Especial, como na Série Ouro: a exceção é a diretores do grupo, desde que usem uma fantasia diferente.

A situação é diferente da vivida no início dos anos 1930, época dos primeiros desfiles, quando os rapazes que ocupavam o posto. Entre as hipóteses para isso, está a de que eles protegiam as escolas de samba, com uso até de navalhas. Atualmente, apenas nos desfiles das divisões inferiores — na Estrada Intendente Magalhães, no Campinho, Zona Norte — os homens podem curtir a folia girando as saias como uma baiana.

Baianas desfilando na Intendente Magalhães, onde homens podem desfilar

Paulo Múmia / Riotur / 07-03-2025

CLIQUE AQUI E VEJA NO MAPA DO CRIME DO RIO COMO SÃO OS ROUBOS NO SEU BAIRRO

Enquanto o samba dá o tom na Avenida, nas redes sociais, a música hit mais recentes é o pagode do Grupo Chocolate, que cita o body splash de vanilla, produto da marca de produtos de beleza da influenciadora Virginia Fonseca, citada nominalmente na canção. A apresentadora fará sua estreia na Sapucaí neste ano, como rainha de bateria da Grande Rio, mas não poderá fazer propaganda enquanto reina à frente dos ritmistas e do Mestre Fafá.

Virginia Fonseca, rainha de bateria da Grande Rio

Eduardo Hollanda / Rio Carnaval / Divulgação

O motivo é que qualquer tipo de merchandising é proibido. Implícita ou explícita, a propaganda não pode aparecer em enredo, alegorias, adereços, alas, destaques, sambas-enredo ou em qualquer outra parte do desfile. As exceções são às vestimentas dos empurradores de carros alegóricos, a prospectos com as letras de samba-enredo distribuídos ao público e a instrumentos da bateria, desde que seja a marca do seu fabricante a exibida.

Carnaval terá 16 homenagens a personalidades em 2026: do Mestre Ciça a Lula, de Ney Matogrosso a Conceição Evaristo; confira os enredos

Em ano de homenagens, o violino fará parte do desfile do Salgueiro, para dar um tom erudito ao desfile sobre a carnavalesca multicampeã Rosa Magalhães. A Mocidade, por sua vez, vai de Rita Lee para a Avenida e, na Série Ouro, o funk é o enredo do “tamborzão” que a Unidos da Ponte escolheu para este carnaval. Mas os regulamentos só fazem veto a instrumentos de sopro. Apitos de mestres de bateria, por outro lado, podem.

A religiosidade na Avenida, presente em tantos carnavais, tem caminhos abertos à utilização de símbolos e imagens, mas os regulamentos fazem uma ressalva: as escolas devem cumprir o artigo 208 do código penal, que veda “vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”.

Pode ou não pode na Sapucaí? Confira

Editoria de Arte

Initial plugin text

'Medo de apostar na mulherada': Annik Salmon, única carnavalesca na Sapucaí, conta os desafios enfrentados em função dominada por homens

Novo julgamento

Neste carnaval, o julgamento dos desfiles passa por mudanças no Grupo Especial. A primeira delas é que haverá uma cabine espelhada no Sambódromo, com jurados uns de frente para os outros, nos setores 6 e 7. Isso obriga casais de mestre-sala e porta-bandeira, assim como comissões de frente, a repensarem suas apresentações para agradarem a todos ao mesmo tempo.

Outra diferença está no número de julgadores, que passou de 36 para 54. Com isso, além do descarte da menor nota do quesito ao longo da apuração, serão excluídas as notas de dois jurados por quesito horas antes da leitura das notas.

Ao centro da mesa, o presidente da Liesa, Gabriel David, durante sorteio da ordem dos jurados Grupo Especial

Eduardo Hollanda / Rio Carnaval / Divulgação

Carnaval em 360 graus: cabines do júri espelhadas vão mudar a vida da comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira

O trabalho desse júri também muda, já que passa a ser obrigatória a justificativa de todas as notas. Até o ano passado, a nota 10 não precisava de argumentos. Além disso, todos os quesitos passam a contar com subquesitos, que devem ser avaliados até se chegar à nota final, lida por Jorge Perlingeiro na Quarta-Feira de Cinzas.

Com isso, bateria, harmonia, evolução e mestre-sala e porta-bandeira passam a ter subquesitos. Até então, essa maneira de avaliação era adotada em samba-enredo, enredo e comissão de frente (que tiveram no número de subquesitos ampliados), assim como fantasias, e alegorias e adereços, que mantêm a consideração de concepção e realização no julgamento da nota final.

Sua presença ainda está aqui: Espírito de Laíla é visto novamente nos preparativos da Beija-Flor; saiba as experiências vividas neste pré-carnaval

Quais são os subquesitos:

Harmonia: canto da escola; harmonia instrumental; e harmonia vocal

Evolução: fluência, espontaneidade; e evolução do componente

Enredo: concepção; realização; e criatividade

Alegorias e adereços: concepção e realização

Fantasias: concepção e realização

Comissão de frente: indumentária/tripé; concepção; apresentação; e criatividade

Mestre-sala e porta-bandeira: indumentária; coreografia; e sincronismo e harmonia

Samba-enredo: desenvolvimento do enredo; riqueza poética e melódica; e funcionalidade

Bateria: manutenção da cadência; conjugação dos instrumentos; e criatividade e versatilidade


Initial plugin text