Da Embaixadores da Alegria ao bloco Percussomos: veja iniciativas voltadas a pessoas com deficiência no carnaval
Abram alas, porque a acessibilidade vai passar. Cada vez mais, as pessoas com deficiência estão pisando forte na Avenida, nas ruas e até mesmo nas arquibancadas da Marquês de Sapucaí. Iniciativas como a escola de samba Embaixadores da Alegria, a primeira do mundo cujos integrantes são pessoas com deficiência, o bloco Percussomos, em Niterói, o bloco Orquestra Voadora, com sua Ala Anticapacitista, e o acesso facilitado nas arquibancadas do Sambódromo reforçam a passagem do estandarte da inclusão.
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Embaixadores da Alegria
A Embaixadores da Alegria completa agora 20 anos de existência e mais uma vez vai abrir o Desfile das Campeãs do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí. A escola já realizou feitos como um carro alegórico totalmente adaptado para os integrantes e colocou cães-guia na Avenida para integrantes com deficiência visual. Este ano, terá um samba, “20 anos de alegria abrindo alas para a diversidade”, composto pelos bambas Pretinho da Serrinha e Fred Camacho.
— A Embaixadores da Alegria faz um trabalho maravilhoso! Na frase do samba ‘aqui ninguém fica de fora’, ressaltamos o acolhimento, o chamamento, a inclusão e o carinho com todos os que sonham em atravessar a passarela do samba com sorriso no rosto. E conseguem!!! A Embaixadores transforma a vida de todos e tornou-se essencial não só para o nosso carnaval; mas para o ano todo. A emoção é gigante! Quando eu e meu parceiro Fred Camacho acabamos de fazer o samba, nos emocionamos — conta Pretinho da Serrinha.
Cofundador da Embaixadores, Caio Leitão explica a importância da iniciativa, que, segundo ele, transformou o Rio de Janeiro na cidade com o maior carnaval inclusivo do mundo.
— Acessibilidade é linguagem artística, inteligência coletiva e expansão de repertório cultural. A diversidade não é pauta identitária, mas potência criativa de transformação. E a inclusão não é concessão, é direito cultural e expressão plena de cidadania — define Caio Leitão.
Outro cofundador da Embaixadores, Paul Davies também chama a atenção para o propósito da escola:
— É a síntese poética de um projeto humanitário. Na Avenida com a Embaixadores da Alegria, os corpos historicamente invisibilizados não figuram, protagonizam. Pessoas com deficiência não ocupam margens, ocupam o centro da narrativa estética e simbólica do desfile.
Percussomos
No Percussomos, que desfila às 8h do dia 22 deste mês na Praça Duque de Caxias, no Gragoatá, em Niterói, o clima é de pura expectativa e empolgação. Maria Fernanda, de 21 anos, tem síndrome de Down e aprendeu a tocar surdo no projeto Práticas Acessíveis, do instituto Teatro Novo, que atende a pessoas com deficiência.
Maria Fernanda, no Bloco Percussomos
Divulgação/ Felipe Xavier
— Estou muito feliz, porque vai ser maravilhoso. Estou muito emocionada — conta Maria Fernanda, que é conselheira municipal titular de pessoas com deficiência no Conselho de Direitos Humanos de Niterói e torce para Viradouro e Mangueira.
Este ano, o bloco defende o samba “Trabalhar é direito”, que aborda as políticas de inclusão e ressalta a importância do emprego apoiado, onde são disponibilizados locais acessíveis e ferramentas para que as pessoas com deficiência possam exercer seu trabalho com cada vez mais qualidade.
O Percussomos traz ainda o cadeirante Paulo Zerbinni, como puxador do samba, que será tocado por cerca de 70 ritmistas, a maior parte de pessoas com deficiência.
Orquestra Voadora
Tradicionalíssimo bloco do carnaval carioca, a Orquestra Voadora inova este ano com audiodescrição do desfile, que já conta todos os anos com mediadores e intérpretes de libras. O bloco desfila no dia 17 deste mês no Aterro do Flamengo, às 16h (concentração às 14h). A expectativa é levar pelo menos cem mil foliões ao local. O enredo deste ano não podia ser mais adequado à questão da acessibilidade: “Cabe todo mundo no mundo”.
— A Orquestra Voadora destaca que, enquanto os conflitos e as fronteiras buscam o isolamento, o cortejo funciona como a antítese da guerra, unindo diferentes identidades e ancestralidades em um coro potente que celebra a existência mútua. Através de práticas concretas de acessibilidade e de um compromisso inegociável com a democratização do espaço público, o bloco convida o público a construir juntos um refúgio onde a rua é de todos, e o mundo também — disse o bloco em comunicado.
A Liga Independente da Escolas de Samba do Rio de Janeiro também fez questão de entrar na roda (de samba) e disponibilizou este ano 300 convites para pessoas com deficiência assistirem ao desfile na Marquês de Sapucaí. Os contemplados vão poder levar um acompanhante, para a festa ficar ainda mais completa.
