Da CPI dos Correios a hotel de Trump, intermediário entre Castro e Vorcaro atuou em fraudes na previdência nos últimos 20 anos

Da CPI dos Correios a hotel de Trump, intermediário entre Castro e Vorcaro atuou em fraudes na previdência nos últimos 20 anos

 

Fonte: Bandeira



Apontado pela Polícia Federal como lobista do banqueiro Daniel Vorcaro e intermediário entre ele e o ex-governador Cláudio Castro (PL), o empresário Ricardo Siqueira Rodrigues tem um histórico de fraudes envolvendo fundos de previdência. O episódio mais recente foram os aportes do Rioprevidência, instituto ligado ao governo do Rio, em papéis e fundos da rede do Banco Master, no valor total de R$ 3 bilhões — o que levou Rodrigues a ser alvo de busca e apreensão na terça-feira.

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Segundo as investigações, o empresário recebia uma comissão de Vorcaro ao captar recursos de fundos de previdência para o Master, o que dependia de “alinhamento político” com Castro.

“Rodrigues, já anteriormente investigado à extensão por atuação em fraudes, realizou captação de clientes para o Banco Master e foi remunerado para tanto com comissão de 0,6% sobre os valores angariados”, afirma Mendonça, ao autorizar a operação.

Lavagem de ativos

A PF apontou ainda que Rodrigues controlava uma empresa, a Mídias Promotora, que recebeu R$ 126 milhões do Master entre 2022 e 2025, conforme reportagem da Folha de S. Paulo. Esta firma ajudava a “escoar recursos oriundos das operações fraudulentas” entre fundos de previdência e o banco de Vorcaro, segundo a PF, “facilitando a lavagem de ativos e o repasse de valores aos agentes envolvidos”.

Vinte anos antes de o esquema do Master vir à tona, Rodrigues foi um dos alvos da CPI dos Correios, em 2005, que ajudou a revelar o mensalão. À época, segundo o relatório da CPI, ele era o dirigente de uma corretora de investimentos que promoveu “diversas operações atípicas no mercado financeiro”, provocando “perdas aos fundos de pensão” que usaram seus serviços.

Um dos principais prejudicados por Rodrigues, de acordo com a investigação da época, foi a Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social (Refer), que teve um rombo de R$ 2,6 milhões em valores de então — R$ 8,4 milhões corrigidos pela inflação. Ele recebeu uma multa de mais de R$ 1 milhão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por atuação fraudulenta.

A Refer teve em seu quadro de dirigentes o advogado Deivis Marcon Antunes, que assumiu em 2023, por nomeação de Castro, o comando do Rioprevidência — e abriu caminho, na sequência, para os aportes do instituto estadual no banco de Vorcaro. Em mensagens obtidas pela PF, sem citar Deivis, Rodrigues disse ao dono do Master que “resolveria os trâmites internos” para o Rioprevidência alocar recursos no banco.

Outro episódio de Rodrigues com fundos de previdência, este investigado pela Lava-Jato, envolveu a construção de um hotel na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, em 2016, que levaria a marca do presidente dos EUA, Donald Trump. A investigação apontou que Rodrigues e outro sócio da construção, o comunicador Paulo Figueiredo — conhecido hoje por sua atuação junto ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro —, se beneficiaram de operações fraudulentas no valor de R$ 17,8 milhões e de R$ 9 milhões, respectivamente, na venda de cotas do empreendimento.

Na decisão em que multou Rodrigues em R$ 53 milhões pelo caso, em 2023, a CVM apontou que o empresário era “o indivíduo responsável por captar os recursos de entidades de previdência”. O hotel foi inaugurado com diferenças em relação ao projeto original, e o grupo Trump rompeu o contrato de licenciamento da marca ainda em 2016, prejudicando os fundos que aportaram recursos.

Após ser preso, Rodrigues fechou um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, o que levou à prisão de Paulo Figueiredo no início de 2019. O processo contra o comunicador bolsonarista, no entanto, foi trancado posteriormente por decisão da Justiça Federal.

Outro relato de Rodrigues gerou desdobramentos à investigação do chamado “QG da Propina” na gestão de Marcelo Crivella na prefeitura do Rio. O empresário disse aos investigadores que um restaurante dele foi usado como fachada para o suposto operador de Crivella, Rafael Alves, receber R$ 1 milhão em propina.