Da aviação naval à Artemis II: conheça carreira e vida pessoal de Victor Glover, 1º homem negro em missão da Nasa à Lua
Quando a cápsula Orion cruzar a atmosfera da Terra a quase 40 mil km/h, envolta em plasma e temperaturas de quase 3.000 ºC, o astronauta Victor J. Glover, de 49 anos, estará entre os responsáveis por conduzir um dos momentos mais delicados da missão Artemis II: o retorno após dez dias no espaço.
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Piloto da missão da Nasa que levou humanos de volta ao entorno da Lua, Glover é o primeiro homem negro a participar de uma missão lunar tripulada da agência — ao lado de Christina Koch, a primeira mulher; do canadense Jeremy Hansen, primeiro não-americano; e do comandante da missão, Reid Wiseman.
O marco, no entanto, se soma a uma trajetória construída ao longo de décadas na aviação naval e na exploração espacial.
"Passar pela atmosfera como uma bola de fogo" será uma experiência e tanto, disse. Em outro momento, admitiu:
— Ainda nem comecei a processar tudo o que aconteceu... e pilotar uma bola de fogo pela atmosfera é algo extremamente profundo.
Victor Glover
Reprodução/Instagram
A missão levou a tripulação a mais de 406 mil quilômetros da Terra (a maior distância já percorrida por humanos) e se aproxima da amerissagem no Oceano Pacífico, na costa da Califórnia.
Muito antes da Lua
Antes de se tornar um dos rostos da nova era lunar, Glover já acumulava um currículo técnico raro. Nascido em Pomona, na Califórnia, em 1976, ele ingressou na Marinha dos Estados Unidos e recebeu suas asas de aviador em 2001.
Pilotou caças como o F/A-18 Hornet e o Super Hornet, participou de operações de combate e atuou como piloto de testes. Ao longo da carreira militar, somou mais de 3.500 horas de voo, incluindo mais de 400 pousos em porta-aviões — um dos exercícios mais exigentes da aviação.
Victor Glover e família
Reprodução/Instagram
A transição para a Nasa veio em 2013. Dois anos depois, já estava apto a voar. Sua primeira missão espacial ocorreu em 2020, como piloto da Crew-1, a bordo da cápsula Dragon Resilience, da SpaceX.
Durante cerca de seis meses na Estação Espacial Internacional, Glover atuou como engenheiro de voo nas Expedições 64 e 65. Realizou quatro caminhadas espaciais e participou de experimentos científicos, manutenção da estação e atividades educacionais.
De volta à Terra, assumiu funções estratégicas dentro da Nasa, incluindo o papel de CapCom — elo direto entre astronautas em órbita e o controle da missão — e posições de liderança no Escritório de Astronautas.
Formado em Engenharia Geral pela California Polytechnic State University, ele também obteve três títulos de mestrado em áreas como engenharia de sistemas e ciência operacional militar.
Ao longo da carreira, recebeu condecorações como a Medalha de Serviço Superior de Defesa e a Medalha de Exploração Espacial da Nasa, além de figurar em listas como a TIME 100 Next.
A combinação de experiência operacional, formação técnica e atuação em equipe ajudou a colocá-lo entre os nomes escolhidos para a Artemis II.
Vida pessoal
Casado com Dionna Odom, de Berkeley, e pai de quatro filhas, Glover construiu sua trajetória conciliando a exigência da carreira militar e espacial com a vida familiar.
Victor Glover e família
Reprodução/Instagram
Glover também foi acompanhado "de perto" pela família durante a missão.
Em um dos momentos que repercutiram nas redes sociais, uma de suas filhas publicou um vídeo bem-humorado com a legenda: "Quando seu pai pilota com sucesso a Artemis II até a metade do caminho para a Lua... e você esquece a dança".
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Em outra publicação, em uma sequência de fotos, a filha escreveu: "Pai, não poderíamos estar mais orgulhosas. Amamos você e sentimos sua falta, até breve".
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Marco em longa trajetória
O fato de ser o primeiro homem negro em uma missão lunar carrega peso histórico e representa um marco no percurso de Glover. Engenheiro, piloto de testes, militar e astronauta, ele chega à Artemis II como parte de uma geração preparada para retomar a exploração humana do espaço profundo.
Formado em Engenharia, com três mestrados em áreas como sistemas e operações militares, ele também integra organizações como a Society of Experimental Test Pilots e a Association of Space Explorers.
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Na fase final da missão, a atenção se volta à reentrada, etapa em que precisão e engenharia são decisivas. A cápsula Orion precisará suportar condições extremas antes de desacelerar e pousar no mar.
Para Glover, o impacto da viagem ainda está longe de ser totalmente compreendido.
— Vou ficar pensando e falando sobre isso pelo resto da minha vida — disse.
