CVM rejeita acordo proposto por empresário da Faria Lima preso por espancar mulher

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Ivo Vel Kos, o empresário da Faria Lima que ficou dois meses detido após ser preso em flagrante por agredir sua própria mulher, acaba de ter rejeitada sua proposta de acordo para encerrar um processo que tramita na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Agora, o empresário deve ir a julgamento.

Como a coluna revelou em junho, Kos é um dos acusados pela CVM em investigação sobre o escândalo financeiro que ficou conhecido como Caso Virgo. O caso ocorreu em meados do ano passado e pôs em xeque o papel das securitizadoras, figura pouco sexy, mas crucial para o funcionamento da indústria de fundos de investimento.

A Virgo — securitizadora fundada por Ivo Kos — foi acusada de usar indevidamente recursos de fundos de reserva de CRIs e CRAs, que são títulos de investimento. Os recursos teriam sido usados para investir em um título estruturado pela própria Virgo que não havia encontrado demanda no mercado.

A área técnica da CVM detectou supostas operações fraudulentas envolvendo quase R$ 284 milhões de recursos de 76 emissões de CRIs e CRAs. O dinheiro foi usado irregularmente para financiar um CRI de R$ 130 milhões ligado a um empreendimento da Castelo Byblos, com a Oncoclínicas como potencial inquilina.

Ivo Kos é um dos quatro acusados no processo. Para encerrar o processo, ele propôs à CVM pagar R$ 700 mil e ficar fora do mercado por três anos, sem atuar em empresas abertas ou ter mais de 30% do capital de securitizadoras.

Outros acusados também propuseram termos de compromisso: a Riza Securitizadora, novo nome da Virgo (que foi vendida para a Riza Holding em outubro do ano passado), queria pagar R$ 1,35 milhão à CVM; o ex-diretor Alexandre João da Rocha ofereceu R$ 700 mil; já Eduardo Levy, também ex-diretor, queria pagar R$ 64,1 mil.

Mas o colegiado da CVM acaba de rejeitar as propostas, concordando de forma unânime com a recomendação do comitê de termos de compromisso do órgão. Segundo os técnicos, a gravidade do caso exige apuração das responsabilidades individuais em julgamento.

A notícia ocorre menos de uma semana depois de Ivo Kos deixar a prisão. Como a coluna contou em primeira mão em agosto, ele havia sido preso em flagrante em São Paulo, acusado de agredir a mulher com um soco no rosto e de ameaçá-la de morte.

A vítima foi a cirurgiã-dentista Giullia Vel Kos, de 27 anos, que estava casada com o empresário havia dois anos e sete meses.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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