O escritor e médico psiquiatra Augusto Cury, candidato do Avante à Presidência da República, incluiu no currículo de seu plano de governo um doutorado internacional que não teria feito.
A formação não consta em seu currículo Lattes, nem em sites que reúnem sua biografia como Linkedin e artigos publicados.
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No documento encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele afirma ter PhD em Psicologia Multifocal pela Florida Christian University, enquanto a formação que consta no currículo, na mesma instituição citada, é em Administração de Empresas.
O plano de governo intitulado "O Brasil dos Nossos Sonhos", entregue à Justiça Eleitoral informa que Cury concluiu o doutorado em psicologia em 2013, com a tese “Programa Freemind como ferramenta global para prevenção de transtornos psíquicos”.
Como divulgou a Folha, em um artigo publicado por Cury em julho no Observatório da Imprensa, o escritor reafirma a formação apresentada no currículo Lattes, citando que é doutor em administração de empresas, com tema sobre o programa FreeMind e reitera: "não apresento esse título como doutorado acadêmico em Psicologia".
Procurada pelo Valor, a assessoria do candidato não se manifestou sobre as informações no plano de governo entregue ao TSE.
Em um site que reúne sua biografia, também é informado que o escritor tem "uma trajetória sólida e impactante nas áreas de psiquiatria, psicologia e neurociência".
Em seu Linkedin, Cury afirma que é pós-graduado na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e no centro médico Marmottan, em Paris, na França.
No mesmo artigo do Observatório da Imprensa, Cury cita que cursou disciplinas de mestrado em psicologia social na PUC-SP em 1986, mas não confirma ter completado formação na universidade.
Médico psiquiatra, Augusto Cury é autor de best-sellers de autoajuda.
Entre os presidenciáveis, o candidato do Avante na corrida presidencial é o que possui o maior valor de bens declarados ao TSE.
O total é de R$ 242 bilhões.
Como mostrou o Valor, o desempenho de Cury em pesquisas recentes acendeu o sinal amarelo nas campanhas dos principais adversários, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e o senador Flávio Bolsonaro (RJ), do PL.
Ao mesmo tempo, na avaliação dos demais postulantes, o crescimento de Cury, considerado um “outsider”, colocou em xeque a tese da polarização consolidada, sem espaço para uma terceira via.
