O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) afirmou, durante sabatina promovida por O GLOBO, CBN e Valor, ser contrário ao controle das redes sociais e à proibição de plataformas como o Discord, mas defendeu uma taxação pesada das grandes empresas de tecnologia, pontuando que quer levar o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, ao tribunal internacional.
O escritor e psiquiatra também sugeriu que famílias adotem “jejum digital” nos fins de semana e afirmou que crianças de até 14 anos não deveriam ter contato com redes sociais.
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— Não sou a favor de controlar as redes sociais, é um ambiente de liberdade.
Faço um pedido aos pais: o ideal nos fins de semana é fazer jejum digital.
Milhões de jovens são órfãos de pais e ficam nos celulares.
É um problema de saúde pública — afirmou.
Cury relacionou o uso excessivo das redes sociais a alterações no comportamento.
Segundo ele, plataformas digitais podem provocar dependência entre adolescentes e aumentar quadros de ansiedade e irritabilidade.
Apesar das críticas, afirmou que não defende censura às plataformas.
— Não sou a favor de banir o Discord.
Sou a favor de, se provar que qualquer adolescente atentou contra a própria vida ou se automutilou, pagar milhões de dólares.
Mark Zuckerberg, eu vou levar você para um tribunal Internacional, você e todos os líderes, porque afetou a saúde mental das crianças e adolescentes no mundo todo — afirmou.
Cury diferenciou as plataformas dos influenciadores.
Ele diz que não pretende restringir a atuação de criadores de conteúdo, inclusive defendendo que membros do governo, como no Itamaraty, usem as redes para "vender o Brasil", e defendeu que a tributação recaia sobre as grandes empresas de tecnologia.
— Temos que taxar em níveis como se fosse cigarro.
Se gera dependência, vamos colocar uma taxação altíssima — disse.
Segundo Cury, empresas como Meta e TikTok deveriam pagar impostos mais elevados.
— Vamos taxar as redes sociais, não os influencers.
O lucro que vai para eles, do TikTok, que vai para a Meta, tem que ser taxado.
Como as bets, que também geram dependência alta — afirmou.
Na mesma sabatina, Cury defendeu um ajuste nas contas públicas e afirmou que seu governo teria como prioridades a auditoria e a revisão de programas públicos.
Cury afirmou que pretende buscar uma política fiscal que permita reduzir a pressão sobre os juros e criticou o efeito da taxa Selic sobre setores produtivos.
— Já arrecadamos demais e entregamos de menos.
Vou arrecadar de big techs e bets — afirmou.
A série de entrevistas com os presidenciáveis de 2026 foi aberta por Romeu Zema (Novo), na terça-feira.
Nos dois dias seguintes, passaram pelo estúdio Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) também foram convidados para as sabatinas, mas não confirmaram presença.
Foram chamados os candidatos com maior pontuação na pesquisa divulgada pela Quaest na semana passada, o primeiro levantamento contratado pela TV Globo e pelo GLOBO nesta corrida eleitoral.
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As entrevistas são realizadas no estúdio localizado na redação do GLOBO, no Rio, que também recebeu as sabatinas com presidenciáveis na eleição de 2022.
Neste ano, a bancada de entrevistadores dos candidatos à Presidência contará com os jornalistas Lauro Jardim e Malu Gaspar, colunistas do GLOBO, com Milton Jung, âncora da CBN, e com Maria Cristina Fernandes, colunista do Valor.
A cobertura das sabatinas incluirá reportagens nos sites e a publicação de "cortes" dos principais trechos nas redes sociais do jornal.
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As sabatinas do GLOBO, Valor e CBN com candidatos à Presidência dão sequência à cobertura eleitoral dos jornais e da rádio.
Nesta semana, foram sabatinados os dois candidatos mais bem colocados na disputa em São Paulo: o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre à reeleição, e o ex-ministro Fernando Haddad (PT).
Essas sabatinas foram realizadas nos estúdios da CBN na capital paulista.
Na sequência, sabatinas com os candidatos ao governo do Rio vão ocorrer entre 8 e 14 de setembro.
A programação prevê ainda, em setembro, sabatinas com candidatos ao governo de Minas Gerais e debates entre postulantes ao Senado em estados como Rio e São Paulo.
Cury é contra controle de redes sociais, mas promete taxar big techs e sugere 'jejum digital' às famílias
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