Candidato à Presidência da República pelo Avante, o escritor e psiquiatra Augusto Cury se mostrou favorável, caso eleito, a formar uma comissão de juristas nacionais e internacionais para revisar processos ligados à trama golpista e ao 8 de janeiro.
O presidenciável encerra nesta sexta-feira a série de sabatinas O GLOBO, CBN e Valor.
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— Vou convidar um grupo de juristas notáveis do Brasil e de fora para ver se teve vício nos processos, se teve ou não tentativa de golpe e se houve penas desproporcionais.
(Mas) Não me coloque no centro dessa guerra política, senão vamos de novo alimentar essa polarização esquizofrênica — afirmou ele, que, após insistência, deu sua opinião pessoal sobre o caso.
— Na minha opinião, houve várias condenações desproporcionais, inclusive a da “Débora do Batom”.
Cury alegou que é o único a propor uma reforma séria no Supremo Tribunal Federal (STF).
Propõe o fim da vitaliciedade e mandatos de oito anos para os ministros.
Questionado se é de direita ou esquerda, Cury despistou dizendo que tem "mente capitalista", mas "coração social".
Negou-se a se inserir em alguma posição específica do espectro ideológico.
Na seara política, o escritor observou que é contra o "câncer da reeleição" e favorável à implementação do parlamentarismo ou do semipresidencialismo.
— Tem que ter um primeiro-ministro chancelado pelo Congresso, que hoje já tem muito peso.
Vivemos um parlamentarismo de fato.
É um parlamentarismo de fato, mas não de direito — afirmou.
— Se tem o bônus, vamos dar o ônus.
Se o primeiro-ministro for impopular e corrupto, recebe uma moção de desconfiança e cai.
Apesar de críticas gerais à classe política, ele fez um aceno ao Centrão, que seria "um fator de equilíbrio" que evita que o país vire "uma Venezuela".
Uma vez presidente, disse Cury, o governo teria apenas oito ministérios.
Ele apostaria num modelo de fortalecimento de secretarias executivas na estrutura de cada pasta.
Faria ainda um "pacto nacional" e chamaria “os melhores”.
Além de técnicos, disse que simpatiza com políticos como o também presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), que poderia ser um “xerife” na segurança, e o governador gaúcho Eduardo Leite (PSD).
Em relação a Pablo Marçal, que declarou gostar do escritor, Cury alegou que, “apesar da amizade”, nunca pensou em chamá-lo para compor o eventual governo.
Na área de segurança, prometeu integrar as forças policiais do país e criar uma nova corporação focada em trabalho preventivo, chamada “Foco”, que contaria com 5% da força de trabalho dos municípios brasileiros.
A ideia é ter 400 mil profissionais.
— Pior do que o crime organizado é o Estado desorganizado.
Precisamos encorpar, treinar e valorizar a Polícia Federal — disse ainda o presidenciável.
— Temos que integrar todas as polícias.
Ter reconhecimento facial, material genético, um sistema de informações para que todas as polícias possam estar de fato integradas e dar respostas muito mais rápidas.
Ele se mostrou favorável à PEC da Segurança, medida do governo Lula que está prestes a ser votada no Senado.
Também se disse contra armar a população e simpático às câmeras nas fardas policiais.
— Se você tem um país responsável, integrado, inteligente, não vai precisar disponibilizar armas para a população.
Claro que em situações de maior vulnerabilidade, como na área agrícola, pode ser diferente — apontou.
— Sou a favor das câmeras.
Porque se 2% cometem crime eles têm que ir à Justiça.
Mas 98% dos policiais são honestos e colocam a vida em risco.
A câmera funciona até para protegê-los.
A despeito de ser contra regular as redes sociais, defendeu a taxação das big techs e chegou a se direcionar a Mark Zuckerberg, da Meta, e dizer a ele que o mandaria para tribunais internacionais por causa do efeito das redes nas crianças.
Sabatinas
A série de entrevistas com os presidenciáveis de 2026 foi aberta por Romeu Zema (Novo), na terça-feira.
Nos dois dias seguintes, passaram pelo estúdio Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) também foram convidados para as sabatinas, mas não confirmaram presença.
Foram chamados os candidatos com maior pontuação na pesquisa divulgada pela Quaest na semana passada, o primeiro levantamento contratado pela TV Globo e pelo GLOBO nesta corrida eleitoral.
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As entrevistas são realizadas no estúdio localizado na redação do GLOBO, no Rio, que também recebeu as sabatinas com presidenciáveis na eleição de 2022.
Neste ano, a bancada de entrevistadores dos candidatos à Presidência contará com os jornalistas Lauro Jardim e Malu Gaspar, colunistas do GLOBO, com Milton Jung, âncora da CBN, e com Maria Cristina Fernandes, colunista do Valor.
A cobertura das sabatinas incluirá reportagens nos sites e a publicação de "cortes" dos principais trechos nas redes sociais do jornal.
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As sabatinas do GLOBO, Valor e CBN com candidatos à Presidência dão sequência à cobertura eleitoral dos jornais e da rádio.
Nesta semana, foram sabatinados os dois candidatos mais bem colocados na disputa em São Paulo: o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre à reeleição, e o ex-ministro Fernando Haddad (PT).
Essas sabatinas foram realizadas nos estúdios da CBN na capital paulista.
Na sequência, sabatinas com os candidatos ao governo do Rio vão ocorrer entre 8 e 14 de setembro.
A programação prevê ainda, em setembro, sabatinas com candidatos ao governo de Minas Gerais e debates entre postulantes ao Senado em estados como Rio e São Paulo.
