O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve prestar esclarecimentos e disse que, caso tenha cometido irregularidades que justifiquem seu afastamento, deveria deixar o cargo ou ser submetido a um processo de impeachment.
“Alexandre de Moraes deve se explicar, sim.
E, se ele cometeu erros passíveis de uma exclusão, ele deveria ter a dignidade para se autoexcluir ou então sofrer o impeachment”, disse Cury a jornalistas após visita à Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), na capital paulista.
O candidato disse que, em um eventual governo seu, não haveria “blindagem” para ocupantes de cargos públicos que cometa irregularidades.
Ao comentar seu desempenho eleitoral, Cury também comemorou o avanço registrado na pesquisa Quaest desta quarta-feira.
O candidato do Avante passou de 2%, no levantamento anterior, para 10% das intenções de voto e alcançou a terceira posição.
“O que está ocorrendo é um fenômeno sem precedente”, afirmou.
Segundo Cury, algumas pessoas e especialistas disseram que “nem na época do Barack Obama ou na época de Jair Bolsonaro [nas eleições de 2018] aconteceu um movimento tão rápido de mudança”.
Cury atribuiu o avanço a um movimento espontâneo em torno de sua proposta de “pacificação” do país.
O candidato associou a polarização política ao acirramento das relações sociais e voltou a citar os dois últimos presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro.
“Os últimos presidentes, tanto o Lula quanto o Bolsonaro, deveriam ter dito, reitero, que ideias diferentes jamais deveriam servir de base para que possamos nos destruir, mas nos construir”, declarou.
Cury afirmou que a democracia pressupõe divergências e defendeu que adversários políticos não sejam tratados como inimigos.
“A beleza da democracia nunca esteve na unanimidade.
A unanimidade só existe nas ditaduras”, disse.
Para o candidato, o ambiente político brasileiro ganhou características particulares de um fenômeno mais amplo de radicalização, impulsionado, segundo ele, pelo excesso de informação e pela dinâmica das redes sociais.
O avanço nas pesquisas ocorre após uma ampliação da exposição de Cury na campanha.
O candidato participou de um primeiro debate entre presidenciáveis, realizado no dia 23 de agosto, e de sabatinas promovidas por veículos de comunicação nas últimas semanas.
A Quaest também registrou crescimento de sua presença no ambiente digital: no Índice de Popularidade Digital (IPD), o candidato avançou de 32,9 pontos ( em um índice que vai de 0 a 100), na semana encerrada em 16 de agosto, para 54,5 pontos no período até o último domingo (30), subindo da sétima para a quarta posição no ranking.
Nas redes sociais, Cury ganhou cerca de 2,5 milhões de seguidores no Instagram em aproximadamente uma semana.
Um dos trechos de sua participação no debate televisivo ultrapassou 21 milhões de visualizações e alcançou mais de 1,3 milhão de curtidas, segundo os dados citados pela Quaest.
