O empresário Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, prestou depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira no âmbito da investigação envolvendo as fraudes financeiras do Banco Master. Homem de confiança do ex-dono do Master, Zettel confirmou que fazia pagamentos por ordem de Vorcaro, mas sem questioná-los.
De outro lado, o empresário negou envolvimento com a 'Turma', grupo apontado pela Polícia Federal como o braço armado da organização criminosa supostamente liderada por Vorcaro. O depoimento foi marcado inicialmente para o último dia 21, mas acabou cancelado.
O procedimento realizado nesta tarde durou cerca de 50 minutos, segundo interlocutores. Durante o depoimento, Zettel ainda reforçou o pedido para que sua prisão preventiva fosse revogada.
No entanto, no final da tarde, o presidente do STF, Edson Fachin, negou revogar a prisão preventiva. Segundo o ministro, a prisão do advogado, apontado como suposto operador de Vorcaro, segue "adequada e indispensável à aplicação da lei penal, à manutenção da ordem pública e à conveniência da instrução criminal".
O presidente do STF acolheu parecer da Procuradoria-Geral da República. O órgão argumentou que, se colocado em liberdade, o cunhado de Vorcaro poderia comprometer a colheita de provas e voltar a praticar crimes.
Ao analisar o caso, Fachin destacou os indícios concretos sobre a "posição de destaque" de Zettel no grupo investigado na Operação Compliance Zero. "Os fundamentos são coesos e específicos quando delimitam, com base em evidências indiciárias, os atos de gestão atribuídos a Fabiano Zettel", afirmou o ministro.
Como O GLOBO mostrou em março, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que Zettel movimentou em sete meses R$ 99,2 milhões, montante "incompatível com a capacidade financeira". O volume representa, em média, R$ 14,1 milhões em transações a cada 30 dias, valor mais de duzentas vezes superior à renda de R$ 66 mil mensais declarada por ele.
O relatório mapeou R$ 49,9 milhões que entraram na conta e R$ 49,3 milhões em débitos entre junho de 2021 e janeiro de 2022. O órgão afirma ainda que o perfil da movimentação indica que a conta "aparentemente" foi usada para o "trânsito de recursos de terceiros".
O mecanismo reforça, segundo investigadores, a suspeita sobre a atuação de Zettel como operador financeiro de Vorcaro.
O Globo