Cuba restringe transporte público entre províncias após agravamento da crise de combustível
Restrições drásticas ao transporte interprovincial entram em vigor nesta quinta-feira em Cuba, atingida pela falta de combustível e onde os assentos em trens e ônibus — cada vez mais escassos — são reservados para doentes, funerais e outras emergências. A ilha de 9,6 milhões de habitantes funciona praticamente sem combustíveis desde janeiro, quando os Estados Unidos cortaram suas importações de petróleo como parte de uma campanha de pressão destinada a forçar uma mudança de regime.
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O transporte, que já enfrentava a pior crise econômica de sua história recente, foi praticamente paralisado por completo enquanto os postos de gasolina ficam sem combustível.
Pessoas chegam em ônibus a Ciego de Ávila, Cuba, em 15 de junho de 2026
STR / AFP
A partir desta quinta-feira, os trens que partem de Havana com destino às cidades do leste passaram a circular apenas a cada 16 dias, em vez de cerca de três por semana como antes.
Passageiros transportam suas bagagens em uma plataforma da estação ferroviária Ferrocarriles de Cuba, em Havana, em 16 de junho de 2026
YAMIL LAGE / AFP
Os ônibus estatais, que antes operavam pelo menos uma vez por dia para as capitais provinciais, passarão agora a fazê-lo entre uma e três vezes por semana.
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O vice-ministro de Transporte, Luis Ladrón de Guevara, enfatizou que não serão necessários permissões para viajar, mas que funcionará como um "sistema de prioridades". Os passageiros deverão solicitar suas viagens com sete dias de antecedência.
Cuba prometeu resistir à pressão dos EUA enquanto anuncia reformas para atrair investimentos e compensar a saída de capital estrangeiro.
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Vidas em jogo
As novas restrições ao transporte interprovincial afetam o sistema estatal, do qual a maioria dos cubanos depende.
Pessoas esperam no terminal rodoviário de Ciego de Ávila, Cuba, em 15 de junho de 2026
STR / AFP
Embora pequenos grupos de táxis e caminhões privados continuem operando para outras cidades, suas tarifas até 200 vezes superiores às do transporte estatal acabam sendo proibitivas.
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José Manuel García, de 60 anos, que é cego de um olho e recebe tratamento por um deslocamento de retina no outro, procurava uma passagem para voltar de Cuba para Santiago.
Ele teme ter que interromper seu tratamento, disponível apenas em Havana, se continuar "tão difícil" de se deslocar.
Fora do alcance
Em Havana, os ônibus urbanos praticamente desapareceram, deixando muitos sem outra opção a não ser ir a pé para o trabalho ou para a escola sob temperaturas próximas a 40ºC.
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Com o combustível sendo vendido no mercado informal por até 8 dólares (cerca de 40 reais) por litro, mesmo um trajeto curto de táxi pode consumir a maior parte do salário de um trabalhador estatal, enquanto algo tão básico como viajar dentro do país se tornou incerto.
— O transporte está péssimo — comenta Alexi Martínez, uma trabalhadora da saúde pública, de 56 anos, que destina quase todo seu salário para pagar transporte de ônibus para sua mãe idosa e diabética na capital. — Tenho que fazer isso porque sou filha única.
Homens ao lado de bagagens e caixas empilhadas em uma plataforma em frente ao vagão do trem Ferrocarriles de Cuba, em Havana, 16 de junho de 2026
YAMIL LAGE / AFP
Para muitos cubanos, as novas restrições implicam também em se afastar de suas famílias.
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Guadalupe Pérez, de 54 anos, chegou a Havana de trem, vinda de Holguín, com parte de sua família, dois dias antes das restrições entrarem em vigor. Ela se despediu "do resto da família e de tudo" em sua terra natal, sem saber quando poderá voltar.
