Cuba reitera aceno ao diálogo com os EUA, mas descarta discutir mudança de regime

 

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O vice-chanceler de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, afirmou que o país caribenho está pronto para dialogar com os EUA, mas que não irá discutir com Washington qualquer mudança no regime do país — em uma aparente delimitação da "linha vermelha" para Havana, em meio às pressões americanas. A declaração do diplomata cubano foi feita em entrevista à rede americana CNN, na qual reiterou acenos ao processo diplomático, que disse não ter sido iniciado, apesar de algumas "trocas de mensagem".

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— Não estamos prontos para discutir nosso sistema constitucional, assim como supomos que os EUA não estejam prontos para discutir o seu, seu sistema político e sua realidade econômica — declarou o vice-chanceler durante a entrevista.

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O governo americano vem fechando o cerco ao regime comunista de Havana desde o começo do ano. Após a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, Trump cortou o fornecimento de petróleo da ilha, proveniente do país sul-americano, e prometeu impor sobretaxas econômicas a quem furasse o bloqueio, afirmando que Havana, localizada a poucos Km da Flórida, é uma ameaça à segurança nacional dos EUA.

Cuba, cuja rede de energia elétrica sofre cortes de fornecimento frequentes devido à infraestrutura antiga ou à escassez de combustível, é extremamente dependente do abastecimento externo para manter suas termelétricas ativas. Um corte de energia atingiu a cidade turística de Santiago, segunda maior do país. A pressão sobre o sistema elétrico é ainda mais relevante em meio a um inverno rigoroso, que fez Havana registrar uma temperatura negativa recorde de 0ºC.

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AFP

O bloqueio de combustíveis a Cuba é motivo de preocupação internacional. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, afirmou que o país corre o risco de sofrer um "colapso humanitário" se não importar petróleo para suprir suas necessidades.

Em meio às pressões, o governo de Havana tenta negociar. Ainda na segunda-feira, Cossío disse em entrevista à agência francesa AFP que há "comunicação" com Washington e os países já "trocaram mensagens". Ele negou, porém, que haja um "um diálogo" estabelecido, contrariando afirmações de Trump no domingo e na segunda.

— Não existe um diálogo especificamente neste momento, mas sim houve troca de mensagens — disse o vice-chanceler na segunda. — Sim, é verdade que houve comunicação entre os dois governos.

Ainda de acordo com o diplomata, a ilha comunista busca um "diálogo que seja sério, responsável, baseado no direito internacional, no respeito à igualdade soberana de nossos Estados e que conduza a uma relação respeitosa entre os dois países". (Com AFP)