Cuba permitirá que cidadãos no exterior invistam e tenham empresas na ilha, diz ministro
Cuba permitirá que cidadãos que vivem no exterior invistam no setor privado e sejam proprietários de empresas na ilha, informou o vice-primeiro-ministro e responsável pela política econômica do país, Oscar Pérez-Oliva Fraga, em entrevista exclusiva à NBC News publicada nesta segunda-feira. Segundo Fraga, a medida permitirá que cubanos que residem em outros países, inclusive nos Estados Unidos, participem diretamente de negócios em seu país de origem, em um esforço para impulsionar a economia nacional.
Contexto: Cuba admite conversas com o governo Trump em meio à asfixia dos combustíveis
‘Fundo do poço’: Sob escassez e sem combustível, cubanos veem mudança na Venezuela quase com esperança
— Cuba está aberta a ter uma relação comercial fluida com empresas americanas e também com cubanos que vivem nos EUA e seus descendentes — disse ele, que também ocupa o cargo de ministro do Comércio Exterior e do Investimento Estrangeiro.
A declaração foi feita durante uma entrevista concedida em Havana, antes de o governo anunciar oficialmente a iniciativa à população nesta segunda-feira. A conversa com a NBC News é a primeira entrevista de Fraga e ocorre em meio a uma tentativa do governo cubano de revitalizar a economia da ilha, considerada debilitada após anos de crise. Nela, Fraga afirmou que o governo prepara uma série de reformas destinadas a criar o que descreveu como um “ambiente empresarial dinâmico”, capaz de reativar setores como turismo, mineração e infraestrutura energética.
— Isso vai além da esfera comercial. Também se aplica a investimentos. Não apenas pequenos investimentos, mas grandes investimentos, particularmente em infraestrutura — afirmou, acrescentando que o avanço dessas mudanças enfrenta obstáculos relacionados às sanções impostas pelos EUA. — A hostilidade contra Cuba é sem dúvida um elemento que afeta o desenvolvimento dessas transformações.
À beira do colapso: Sem petróleo da Venezuela, crise de Cuba se aprofunda e expõe fragilidades estruturais
Segundo o vice-primeiro-ministro, o bloqueio tem privado Cuba de “acesso a financiamento, tecnologia, mercados e, nos últimos anos, tem sido direcionado especificamente a privar o país de acesso a combustível”. De acordo com autoridades cubanas, nenhum carregamento de petróleo chegou ao país nos últimos três meses, agravando a crise energética que afeta a ilha.
Na sexta-feira, o governo cubano confirmou pela primeira vez que mantém conversas com o governo do president americano, Donald Trump. O republicano advertiu recentemente que Cuba poderia enfrentar um destino semelhante ao do venezuelano Nicolás Maduro, capturado em janeiro durante uma operação americana em Caracas. O chavista e sua esposa, Cilia Flores, foram levados aos EUA e acusados de conspiração para importar cocaína, além de posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos. Maduro também responde a uma acusação federal adicional de conspiração de narcoterrorismo.
Trump já declarou que Cuba “vai cair muito em breve” se não chegar a um acordo com Washington e chegou a sugerir a possibilidade de uma “tomada amigável” da ilha. No domingo, ele afirmou que, se não “fecharem um acordo”, deverão “fazer o que tivermos que fazer”, sem dar mais detalhes. O presidente também indicou que pretende voltar sua atenção com mais intensidade para Cuba após o fim da guerra no Irã.
Em Cuba, repórter mostra como crise de combustíveis afetou o país
A operação que resultou na captura de Maduro interrompeu remessas de petróleo entre Venezuela e Cuba. O governo cubano acusa Washington de bloquear o envio de combustível ao impedir que petroleiros cheguem à ilha. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou na sexta-feira que nenhuma carga de petróleo chegou ao país nos últimos três meses, provocando uma crise energética em toda a ilha.
Segundo autoridades, os apagões generalizados têm afetado serviços essenciais e forçado hospitais a adiar cirurgias. O cenário também provocou protestos violentos, considerados raros no país de partido único, de acordo com o jornal estatal Invasor. Na cidade de Morón, uma manifestação inicialmente pacífica tornou-se violenta no sábado, quando manifestantes atiraram pedras contra o prédio da Comissão Municipal do Partido e iniciaram um incêndio na rua, informou o jornal.
