Mais de 70% dos hotéis de Cuba estão fechados devido às pressões dos Estados Unidos, provocando a "paralisação quase total" desse setor, considerado estratégico para a economia do país, informou nesta quarta-feira (29) o primeiro-ministro Manuel Marrero.
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"Os impactos decorrentes da falta de combustível e das sanções aplicadas geraram uma paralisação quase total dos serviços turísticos", afirmou Marrero perante o Parlamento.
O primeiro-ministro informou que, atualmente, 73% das instalações hoteleiras do país estão fechadas.
"Em decorrência das pressões exercidas, sete redes hoteleiras deixaram de operar no país.
Elas administravam 46% dos quartos de hotel de Cuba", declarou.
A saída desses grupos hoteleiros internacionais deixou "cerca de 25 mil trabalhadores em situação de vulnerabilidade", acrescentou Marrero, no primeiro balanço apresentado pelo governo cubano sobre o impacto das sanções de Washington nesse setor.
O turismo é a segunda maior fonte de entrada de divisas do país e, até janeiro, empregava mais de 300 mil pessoas na ilha, que tem 9,4 milhões de habitantes.
Além do bloqueio ao fornecimento de combustível imposto em janeiro, que provocou a pior crise econômica e energética de Cuba em décadas, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou nos últimos meses uma ofensiva de sanções contra autoridades, empresas e instituições cubanas.
Após as sanções impostas em maio ao conglomerado militar cubano Gaesa, várias redes hoteleiras internacionais deixaram de administrar hotéis operados em parceria com esse grupo para evitar restrições dos Estados Unidos.
Algumas, porém, como as espanholas Meliá e Iberostar, mantiveram estabelecimentos administrados em conjunto com o Ministério do Turismo.
Em julho, Washington anunciou novas sanções contra esse ministério, ampliando a pressão para operações que, até então, haviam permanecido fora do alcance das medidas restritivas.
Após o anúncio oficial, em fevereiro, da escassez de combustível para a aviação — provocada pelo bloqueio ao setor petrolífero imposto pelos Estados Unidos —, companhias aéreas do Canadá, da Rússia e da Europa também anunciaram a suspensão de seus voos para a ilha.
Entre janeiro e junho, o turismo em Cuba despencou 58% em comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados oficiais.
