Cuba confirma desabastecimento total de diesel e óleo combustível em meio a protestos por apagões e bloqueio dos EUA

 

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O ministro de Minas e Energia de Cuba, Vicente de la O Levy, afirmou nesta quarta-feira que o país está sofre com um desabastecimento total de diesel e óleo combustível, essenciais para manter em funcionamento um sistema elétrico amplamente dependente de usinas termelétricas. A declaração à imprensa estatal ocorre em um momento em protestos contra o governo de Havana irrompem por causa de apagões constantes, enquanto a liderança da ilha caribenha culpa o bloqueio promovido pelos EUA pelo estado crítico do país.

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— A soma dos diferentes tipos de combustível: petróleo bruto, óleo combustível, do qual não temos absolutamente nada; diesel, do qual não temos absolutamente nada. Estou sendo repetitivo. A única coisa que temos é gás dos nossos poços, cuja produção aumentou — disse o ministro em entrevista à TV estatal, reconhecendo que a situação no país é "extremamente tensa".

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A crise na ilha comunista se agravou após meses de um bloqueio quase total americano ao envio de combustível ao país. Desde o fim de janeiro, apenas um petroleiro russo com 100 mil toneladas de petróleo bruto foi autorizado a atracar em Cuba, aliviando a crise em abril. O combustível, porém, já se esgotou, fazendo o país conviver com cortes de eletricidade que ultrapassam 19 horas diárias na capital — enquanto em várias províncias os apagões se estendem por dias inteiros.

A falta de energia já afeta o funcionamento de escolas e hospitais, segundo o governo. Dados oficiais compilados pela AFP apontam que 65% do território cubano sofreu cortes simultâneos de energia na terça-feira.

O desabastecimento provocou protestos pelo país. Na quarta-feira, dezenas de pessoas, em sua maioria mulheres, algumas batendo panelas, protestaram contra os intermináveis apagões em San Miguel del Padrón, um bairro periférico de Havana. Durante a noite, moradores de vários bairros da capital também bateram panelas para expressar o cansaço, segundo depoimentos ouvidos pela AFP. "Acendam as luzes", gritaram os moradores de Playa, um bairro na zona oeste da capital.

Pessoas cozinham com lenha em meio a crise energética em Havana, em 13 de maio de 2026

Yamil Lage/AFP

Mesmo antes do bloqueio americano aos combustíveis, que agravou a situação, o país comunista já convivia com apagões nos últimos anos. Além de depender de combustível importado — que vinha em grande parte da Venezuela, antes da intervenção americana que derrubou Nicolás Maduro —, o maquinário antigo utilizado pelo sistema cubano frequentemente precisou passar por manutenções longas nos últimos anos, interrompendo o fornecimento de energia. Havana tenta investir em meios renováveis com ajuda da China, incluindo a instalação de painéis solares.

Em meio à crise atual, o governo cubano culpa os EUA pela situação "particularmente tensa". Em uma publicação na rede social X, o presidente Miguel Díaz-Canel disse que o "agravamento dramático" da situação no país tem "uma única causa: o bloqueio energético genocida ao qual os EUA submetem nosso país". Washington, por sua vez, alega que a situação se deve à má gestão econômica interna em Cuba.

— É uma economia quebrada e disfuncional, e é impossível mudá-la. Eu gostaria que fosse diferente — disse o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, em declarações ao canal Fox News a bordo do Air Force One, quando viajava com o presidente Trump para a China. —Daremos uma oportunidade a eles. Mas não acredito que vai acontecer. Não acredito que possamos mudar o rumo de Cuba enquanto estas pessoas estiverem à frente desse regime.

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Ajuda condicionada

O Departamento de Estado dos EUA afirmou na terça-feira que Washington está disposto a oferecer US$ 100 milhões (cerca de R$ 501 milhões do câmbio atual) para ajudar a superar a crise na ilha, condicionando a ajuda à coordenação da distribuição dos recursos pela Igreja Católica. O montante não seria transferido diretamente para os cofres do governo, mas sim na forma de "assistência humanitária direta ao povo cubano".

"A decisão cabe ao regime cubano: aceitar nossa oferta de assistência ou negar a ajuda essencial para salvar vidas e, em última instância, prestar contas ao povo cubano por impedir o acesso a essa ajuda crucial", acrescenta a nota americana.

O chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, negou que a oferta tenha sido feita por canais oficiais, a chamando de "fábula" destinada a "enganar o povo de Cuba e os próprios americanos". Na terça-feira, ele afirmou que “alguém deveria perguntar ao secretário de Estado dos EUA sobre a fábula do suposto oferecimento de 100 milhões de dólares em ajuda humanitária a Cuba, que aqui ninguém conhece". (Com AFP)