Cuba classifica acusação do governo Trump contra Raúl Castro como 'provocação' para ataque militar

 

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Após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciar o ex-presidente de Cuba Raúl Castro, o regime cubano classificou a acusação como uma 'acusação vil', rejeitando 'nos termos mais veementes' e chamando de um ato 'desprezível e infame de provocação política'.

Havana enfatizou que a acusação 'se baseia na manipulação desonesta do incidente', reiterando sua alegação de que a queda da aeronave sob o qual Raúl é acusado ocorreu 'sobre o espaço aéreo cubano'.

No entanto, Havana reiterou que 'a resposta de Cuba à violação de seu espaço aéreo constituiu um ato de legítima defesa , protegido pela Carta das Nações Unidas, pela Convenção de Chicago sobre Aviação Civil Internacional de 1944 e pelos princípios da soberania aérea e da proporcionalidade'.

'É de puro cinismo que essa acusação esteja sendo feita pelo mesmo governo que assassinou quase 200 pessoas e destruiu 57 embarcações em águas internacionais do Caribe e do Pacífico', acrescentou o comunicado, destacando que a 'acusação espúria' contra Castro 'faz parte das tentativas desesperadas de elementos anticubanos de construir uma narrativa fraudulenta para justificar a punição coletiva e impiedosa contra o nobre povo cubano'.

Além disso, o atual presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou que a acusação 'apenas demonstra a arrogância e a frustração que a firmeza da Revolução Cubana e a unidade e força moral de sua liderança provocam nos representantes do império'.

Ele reiterou que a acusação contra Castro 'busca reforçar o caso que estão fabricando para justificar a insensatez de uma agressão militar contra Cuba'.

O presidente afirmou que 'a estatura ética e o espírito humanista de seu trabalho refutam quaisquer acusações caluniosas feitas contra o General do Exército Raúl Castro'. Ele ainda descreveu as acusações como uma 'tentativa ridícula de diminuir sua estatura heroica'.

Entenda a acusação contra Raúl Castro

Raúl Castro, ex-preisdente de Cuba e irmão de Fidel Castro

Reprodução / BBC

A Justiça dos Estados Unidos acusou criminalmente o ex-presidente cubano Raúl Castro por assassinato e conspiração. O indiciamento foi anunciado em Miami pelo chefe do Departamento de Justiça, Todd Blanche.

O irmão de Fidel Castro, que hoje tem 94 anos e era ministro da Defesa na época dos fatos, é responsabilizado pelo abate de dois aviões civis americanos por caças cubanos em 1996. Quatro pessoas morreram no episódio.

As duas aeronaves de pequeno porte haviam decolado de Miami e pertenciam a uma organização de exilados cubanos que costumava sobrevoar a região para lançar panfletos contra o regime comunista.

Em meio ao aumento das tensões, chegou nesta quarta-feira ao Caribe o porta-aviões dos Estados Unidos USS Nimitz.

Apesar da forte pressão do governo americano para forçar uma mudança de regime em Havana, Donald Trump negou que a medida vá provocar uma escalada de violência ou um conflito armado na região.

No dia em que a comunidade de exilados comemorou a independência de Cuba, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, mandou um recado direto aos moradores da ilha.

Em um pronunciamento feito em espanhol, o chefe da diplomacia americana — que é filho de cubanos — ofereceu uma ajuda humanitária de 100 milhões de dólares e prometeu uma nova era nas relações bilaterais, caso o atual regime seja encerrado.

Em resposta às acusações, a Embaixada de Cuba nos Estados Unidos afirmou que Marco Rubio mentiu e que o governo americano está submetendo a nação insular à crueldade.

Trump anuncia Marco Rubio como secretário de Estado dos EUA

Reprodução/Redes Sociais