Crítica: Unidos da Tijuca faz o possível após o furacão Viradouro, em belo desfile

 

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Além da missão de carnavalizar uma história triste como a da escritora Carolina Maria de Jesus, a Unidos da Tijuca – graças a uma troca de posições – acabou com a inglória tarefa de se seguir ao sacode da Viradouro.

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Saiu-se bem na primeira missão, com um desfile de boa plástica, em que o chão da escola cantou com garra o belo samba-enredo, contando bem a história da escritora, com destaque para a parte sociopolítica.

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No entanto, vir depois de um desfile histórico tem um preço, e aí não deu para a Tijuca, que, em outra posição, talvez fizesse sucesso.

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Público assistiu atento

A Unidos da Tijuca, no encerramento de uma fortíssima noite de segunda-feira de carnaval, teve como ponto alto seu enredo, sobre Carolina Maria de Jesus. A vida e a obra da escritora passaram na Avenida em alas bastante expressivas e alegorias grandiosas, repletas de esculturas muito bem acabadas.

Mas, depois da emoção da extrema da Viradouro, nem o belo samba da escola do Borel conseguiu facilitar o caminho para os tijucanos. Um ritmo cromático de tons mais escuros também contribuiu para um desfile em que o público assistiu atento às mensagens, mas não se empolgou.

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A Unidos da Tijuca encarou missão difícil, ao passar depois da apoteose realizada pela Viradouro. Mas o povo do Borel tem seu valor histórico no altar dos bambas. O desfile da escola merece lugar no Sábado das Campeãs.

O enredo desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira teve correto tom de denúncia do racismo que confinou Carolina no desterro dos trabalhos braçais. O bom samba passou sob o ritmo preciso da bateria maravilhosa de mestre Casagrande.

A Tijuca realizou seu melhor desfile em muitos anos. Homenagem merecida à grande Carolina Maria de Jesus.

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