Crítica: Gilberto Gil mostra por que é um dos maiores da história em show-aula no Palco Mundo

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Por que o gênios se aposentam? “Talvez esse seja o meu último Rock in Rio. E eu estive no primeiro, foi aqui do lado”, disse Gilberto Gil no começo do seu show no Palco Mundo, o penúltimo no principal espaço do festival na noite desta segunda-feira (7). Acompanhado da banda que é, em sua maioria, sua família também, o baiano andou com fé pra colocar seu nome na história com uma das melhores apresentações desta edição.

O SEU ROCK IN RIO: MONTE O SEU LINE-UP IDEAL EM JOGO INTERATIVO Rock in Rio: Acompanhe o quarto dia do festival em tempo real Visionário, correspondente do futuro e correspondido pelo numeroso público diante de si, Gil começou com “Cérebro eletrônico”, atravessada em algum momento por “Sir Duke”, de Stevie Wonder, e “Pela internet”, tratado sociológico pós-moderno do álbum “Quanta” (1997), que adiantou muito do que a gente vê por aí, é bem verdade. Fez, ainda, seu ijexá inconfundível com “Toda menina baiana”.

O público gostou, e era difícil ser diferente, quando Seu Gil homenageou Bob Marley com “Rebel Music” – “We want to be free”, exclamou – como o fez em “Kaya N’Gan Daya”, o belíssimo disco de 2002 dedicado ao herói jamaicano. E depois seguiu com as suas – e que suas! –, chamando Liminha, grande parceiro produtor de vários dos seus álbuns, para tocar clássicos como “Vamos fugir” (coautoria com Liminha), e as baladas fundamentais da disco music brasileira “Realce” e “Palco”. Quando ouviu da multidão “Gil, eu te amo”, respondeu carinhoso: “É recíproco, é recíproco!”. Coroa de rei na cabeça, baixou o mood com “Super-homem: a canção”, hino que deveria estar nas escolas. E foi muito aplaudido ao evocar “Ovelha negra”, de sua contemporânea Rita Lee.

Nadando contra a corrente, só pra exercitar, puxou na guitarra um dos grandes hinos da história do Rock in Rio, “Pro dia nascer feliz”, de Cazuza e Frejat, numa versão linda linda que esquentou a plateia quando os termômetros marcavam 17°C na Cidade do Rock. Pra carioca, é frio.

E partiu pro Nordeste, ancorado numa sanfona bonita, com “Esperando na janela”, seu forró dos forrós, fazendo os pares da Cidade do Rock largarem tudo pra dançarem juntinhos. Quantas vezes, aliás, o forró esteve no Palco Mundo? Celebrou o Rio de Janeiro com “Aquele abraço” e ainda largou o frevão “Atrás do trio elétrico”, do seu irmão Caetano, pra fechar com brilho uma apresentação a sua altura. Gil faz de um tudo, ele pode tudo, inclusive se aposentar, e seu show no Palco Mundo é a expressão de um artista único que não deve nada a ninguém.

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