Raios e trovões! Mas a chuva não voltou, calma. Foi o telão anunciando a chegada de Sir Elton John e sua banda, atração principal desta segunda-feira no Rock in Rio — e talvez o maior nome de todo o festival, em show que pode ter sido seu último. Imagens sinistras ocuparam o telão até que os músicos se instalassem, começando com a dupla “Funeral for a friend / Love lies bleeding”, um rockão comandado pelo piano de Elton, mas com destaque para outros músicos, como o fiel guitarrista Davey Johnstone, há mais de 50 anos com o patrão (com interrupções). O SEU ROCK IN RIO: MONTE O SEU LINE-UP IDEAL EM JOGO INTERATIVO Rock in Rio: Acompanhe o quarto dia do festival em tempo real “Bennie and the Jets” veio em seguida, mantendo o clima de rock-blues dançante, com imagens psicodélicas no telão — de blazer amarelo sobre uma camisa azul-pavão, o astro homenageava a Unidos da Tijuca sem saber, com óculos azuis combinando. Com “I guess that’s why they call it the blues”, a festa começou em grande estilo.
— Vamos tocar uma lenta agora. Ela se chama “The one”.
Foi a senha para a sequência de baladas, especialidade da casa, que também teve “Tiny dancer” e “Sacrifice”, de cara, e muitas outras ao longo de duas horas e quinze de show.
O uso de Elton John do telão foi um dos melhores do primeiro fim de semana de Rock in Rio (talvez o melhor, ao lado do cybershow do Bring Me The Horizon, na sexta-feira): era quase como se cada música tivesse um clipe próprio sendo exibido nos paredões de LED. “Tiny dancer”, por exemplo, que fala de uma “LA lady”, trazia histórias na cidade americana. “Honky cat” veio acompanhada de cenas da cinebiografia “Rocket man”. Mas as baladas logo voltaram, exatamente com “Rocket man”. Lentas ou não, as músicas têm generosas partes instrumentais, que mostram o brilho de músicos como Johnstone, o baterista Nigel Olsson (outro fã da Unidos da Tijuca, de azul e amarelo) e o baixista Matt Bissonette. E a banda, sorridente, parecia estar aproveitando a escalada da aposentadoria (anunciada em 2023) para um show nos trópicos.
Galerias Relacionadas Um dos momentos mais emocionantes foi de Elton sozinho, sem a banda: “Candle in the wind”, dedicada a Marilyn Monroe, que completaria 100 anos em 2026. Depois de “Goodbey yellow brick road”, “Sad songs say so much” foi o código para a reta final do show, mais dançante.
— Nós paramos de fazer shows em 2023, mas a turnê de despedida não passou pelo Brasil, por causa da Covid — disse ele em uma rara fala mais longa. — Então, quando veio essa oportunidade, quis vir para agradecer, o Brasil é um país muito importante para mim e para a minha música. Obrigado por fazerem parte da minha vida.
No bis, Elton “trouxe” Dua Lipa para o medley “Cold heart”, com direito a batidão em playback, antes de “Skyline pigeon” (“esta música só foi popular no Brasil”, disse ele) e da inevitável “Your song”. Terá sido o show de despedida de Elton John? Se quiser mudar de ideia, Sir Elton, não é sacrifício algum.
O Globo