Crítica: Ciça, rei num território de paixões, protagoniza desfile mágico da Viradouro, que terá Beija-Flor como oponente poderosa

 

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A 93ª edição da reunião anual de apaixonados chamada desfile das escolas de samba teve seu momento de encantamento maior, na celebração a um gigante do carnaval. A Unidos do Viradouro dominou o coração dos amantes da festa, com desfile arrebatador em celebração a Ciça, seu mestre de bateria. Criatividade, imponência e muito amor se conjugaram para enfeitiçar a Sapucaí, numa jornada de excelência.

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As especulações em torno do título ficam em segundo plano, diante do que se viu na pista. Foi algo muito maior do que a disputa dos décimos do sempre esquisito júri da Liesa. Desde a comissão de frente – sensacional – do casal Priscila Mota e Rodrigo Negri, até a bateria que passou em cima de um carro, a escola de Niterói brilhou intensamente. Será difícil que alguma outra a supere.

Foi, em verdade, um manifesto de intensa devoção ao próprio carnaval – com a presença, aliás, de estrelas de outras escolas. Mestre-sala e porta-bandeira mais importantes da festa, Claudinho e Selminha Sorriso, da Beija-Flor, vieram no alto do trenzinho caipira, referência ao desfile campeão da Estácio de Sá em 1992, onde eles estiveram juntos com Ciça (à frente do carro, uma escultura lembrava Dominguinhos, cantor daquele desfile, também campeão pela Viradouro). Os mestres de bateria de quase todas as escolas reuniram-se em outra alegoria, para cantar seu decano. Tudo lindo demais.

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O carnavalesco Tarcisio Zanon assinou tamanha beleza, consolidando-se como um dos grandes artistas do momento. Contou com a parceria dos fortes quesitos da escola e a paixão visceral dos componentes. O samba, que não estava entre os melhores do ano, funcionou na voz do icônico Wander Pires e a Sapucaí foi junto, consagrando o mestre/enredo.

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Adversário potente

Toda a magia da Viradouro tem adversário potente na briga pelo título. Atual campeã, a Beija-Flor realizou desfile visceral e impecável sobre o Bembé do Mercado, fez a Passarela “virar macumba”, como manda seu ótimo samba-enredo, e pôs toda sua força e arte no projeto do bicampeonato. Não será fácil bater a mítica comunidade nilopolitana, que passou maravilhosa e soberana pela pista.

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O carnavalesco João Vitor Araújo, no terceiro ano na azul e branco, sedimentou o status de grande artista com um desfile de carros imponentes, muito bem realizados, e fantasias perfeitas. A bateria dos mestres Rodney e Plinio também brilhou, numa apresentação irretocável.

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Pela primeira vez desde 1976, Neguinho da Beija-Flor não ocupou o posto de intérprete – e tudo bem. Jessica Martin e Nino estrearam juntos para substituir o gigante consagrado baluarte (que desfilou na frente da escola) e deram conta do recado. Apaixonado por seu enredo, o povo de Nilópolis atravessou a Passarela para buscar o bi. Pode acontecer – porque será difícil tirar pontos, diante de tanta competência carnavalesca.

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Renascimento da Mocidade

O segundo terço da maratona também teve um renascimento. Renato Lage e a Mocidade abriram a noite materializando desfile, como há muito não se vê, da escola e seu artista-assinatura. O enredo sobre Rita Lee teve grandes momentos, como o abre-alas e a excelente escolha de fantasias do carnavalesco. A Estrela Guia da Zona Oeste precisava de um samba melhor, mas não se pode querer tudo. Valeu pelo retorno, com um desfile digno.

Apresentação correta da Tijuca

Para fechar a jornada, a Unidos da Tijuca exaltou Carolina Maria de Jesus com apresentação correta, que permite sonhar com um lugar nas Campeãs do próximo sábado. O enredo desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira teve correto tom de denúncia do racismo que confinou Carolina no desterro dos trabalhos braçais. O bom samba passou sob o ritmo preciso da bateria maravilhosa de mestre Casagrande.

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