Crítica: A evolução da festa que escolhe a emoção

 

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Iluminada manifestação que em seu quase século de existência sustenta incessante evolução, com uma coirmã superando a outra, na ciranda virtuosa e infinita. Em 2026, coube à Unidos do Viradouro dobrar a aposta na emoção, até superar a então campeã Beija-Flor por mísero décimo e levar para Niterói o título do carnaval. A consagração do mestre de bateria Ciça, transformado em enredo, foi uma celebração arrebatadora à própria festa.

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Para voltar ao topo da competição dos bambas, a vermelho e branco aprimorou a lição oferecida pela comunidade nilopolitana em 2025, no título do desfile sobre Laíla. Decifrou que a emoção voltou a ser o ativo mais estratégico da disputa e, por ela, escolheu reverenciar seu artista mais importante. Sua comunidade, que estava rachada, se uniu em torno do parceiro/ídolo. E tudo se encaixou.

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Com a criatividade de uma equipe magistral — o carnavalesco Tarcisio Zanon, o enredista João Gustavo Melo, o casal de coreógrafos Priscila Mota e Rodrigo Negri e o intérprete Wander Pires, além do próprio Ciça —, materializou uma apresentação inesquecível e, para sorte da própria festa, ganhou. O troféu vai para o segundo enredo consecutivo sobre um sambista, em reluzente sinal de para onde está tocando a banda. Só aprender.

Faltou à Beija-Flor o mesmo décimo que lhe deu o campeonato no ano anterior — e tudo certo. Ela ostentou seu festival de prata em plena pista e levou o ótimo enredo sobre o Bembé do Mercado com excelência. Neguinho, o maior nome da história da escola, trocou, após meio século e 15 títulos, o posto de cantor pelo de baluarte, e a Deusa da Baixada soube substituí-lo. Ninno e Jéssica, os novos intérpretes, foram muito bem, e a página delicada virou sem estresse. O carnavalesco João Vítor Araújo realizou outro trabalho de qualidade.

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Com os mesmos 269,9 pontos, mas em terceiro pelos critérios de desempate, está um renascimento. A Vila Isabel ressurgiu poderosa com a estreia da dupla Leonardo Bora e Gabriel Haddad, o enredo sobre Heitor dos Prazeres e o samba maravilhoso. Desfilou praticamente impecável, num show de beleza e sofisticação. Em quarto, o surpreendente Salgueiro, de Jorge Silveira e da reverência à professora Rosa Magalhães, está no Sábado das Campeãs, com Imperatriz Leopoldinense e Mangueira.

A tristeza do ano veste o azul e branco mais tradicional. A Portela, maior campeã de todas, amargou o décimo lugar, consequência dos seus muitos equívocos. A águia altaneira precisa voltar a seus voos altos.

A Acadêmicos de Niterói, após tanta controvérsia com a homenagem ao presidente Lula, encontrou o destino pendular das escolas que chegam da Série Ouro. Voltou à segunda divisão com notas arrasadoras do júri.

Porque a maior de todas as festas quer mesmo é celebrar os seus. Viva!

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