A renúncia do presidente do Paraguai e a crise envolvendo o sistema bancário do país têm despertado atenção de empresários brasileiros, especialmente daqueles que mantêm relações comerciais com o mercado paraguaio. Apesar das incertezas geradas pelo cenário, a avaliação inicial é que os reflexos para Goiás tendem a ser reduzidos, ao menos neste momento.
Ao Jornal Opção, o superintendente de Comércio Exterior e Atração de Investimentos Internacionais da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás (SIC), Plínio Viana, afirmou, nesta quinta-feira, 5, que ainda é prematuro apontar consequências concretas para a economia goiana.
“É muito cedo para a gente falar se vai impactar ou não. Precisamos acompanhar as medidas que serão adotadas pelo novo governo e observar os desdobramentos da situação”, disse.
Segundo o superintendente, toda movimentação política, econômica ou social em países com os quais o Brasil mantém relações comerciais merece atenção, especialmente quando se trata de nações vizinhas. “Toda movimentação em países com os quais mantemos relacionamento é motivo de observação e acompanhamento”, destacou.
A principal preocupação está relacionada à intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, instituição que teve cerca de US$ 850 milhões bloqueados, afetando milhões de clientes. A medida criou dificuldades para empresas e comerciantes que dependiam desses recursos para manter suas operações e honrar compromissos financeiros.
De acordo com Plínio, os impactos mais imediatos podem ser sentidos por empresas que possuem atividades diretamente ligadas ao Paraguai. “O que pode ter impacto são algumas empresas que têm negócios mais ativos com o país, principalmente aquelas que dependem de operações financeiras ou comerciais na região de fronteira”, explicou.
A avaliação da SIC é de que Goiás não deve estar entre os estados mais afetados pela crise. Dados comerciais recentes indicam que o Paraguai não figura entre os principais parceiros econômicos dos goianos.
Além disso, o episódio é visto, neste momento, como uma crise bancária e política interna, sem sinais de ruptura nas relações comerciais internacionais. Segundo Plínio, a transição no comando do país deve ocorrer dentro da normalidade institucional.
Ele disse que o vice-presidente deve assumir a presidência com apoio de diferentes grupos políticos, reduzindo o risco de instabilidade mais profunda. “Por enquanto, a informação concreta que temos é a mudança na presidência e o bloqueio dos recursos do banco.
O restante ainda são hipóteses que precisam ser acompanhadas”, apontou. A maior concentração de riscos está na região de fronteira, especialmente em Ciudad del Este e Foz do Iguaçu.
Empresas instaladas na área enfrentam dificuldades para acessar capital de giro, repor estoques e realizar pagamentos a fornecedores brasileiros. Levantamentos apontam que 179 empresas brasileiras monitoram possíveis atrasos financeiros decorrentes do bloqueio de contas ligadas ao Ueno Bank.
A redução da demanda por produtos brasileiros, as dificuldades operacionais para empresas instaladas em território paraguaio e o adiamento de novos investimentos estão entre os efeitos que podem surgir nos próximos meses. Ainda assim, o superintendente apontou que essas consequências devem ocorrer de forma localizada.
“Questões pontuais certamente vão acontecer porque existem empresários brasileiros que atuam no Paraguai e mantêm negócios por lá. O que ainda precisamos entender é a dimensão desses impactos e se eles conseguirão superar essas dificuldades”, afirmou.
Na visão do representante da SIC, o momento exige cautela e monitoramento constante, mas não há, até agora, elementos que indiquem um efeito significativo sobre a economia goiana. A expectativa é de que os próximos movimentos do governo paraguaio ajudem a esclarecer se a crise ficará restrita ao ambiente interno do país ou se poderá produzir reflexos mais amplos no comércio regional.
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