A conturbada relação entre os governos de Javier Milei e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu um novo patamar de tensão diplomática. Segundo análise publicada nesta quinta-feira, 29, pelo jornal argentino La Nación, a rivalidade entre os dois líderes evoluiu de confrontos verbais para “ações operacionais diretas” depois que a Casa Rosada, segundo apuração da imprensa local, atuou ativamente para viabilizar a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos.
Flávio estava proibido de deixar o Brasil por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro e desvio de divisas. No entanto, segundo o diário portenho, as autoridades da Argentina não apenas permitiram sua passagem, mas “montaram um dispositivo logístico para facilitar o escape”.
Operação de bastidor e escolta A apuração do La Nación revela que a transferência contou com apoio direto nos bastidores.
A van que transportou o senador até o aeroporto internacional de Puerto Iguazú, onde ele e a família pegaram um voo rumo a Miami, foi escoltada por uma viatura da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA) argentina e acompanhada por outros dois veículos — um deles portando placa diplomática argentina.
O controle da operação logística foi atribuído a Santiago Caputo, principal assessor e homem de confiança de Milei. Embora porta-vozes da Casa Rosada tenham tentado negar a participação do governo, a narrativa oficial entrou em contradição direta com os fatos: o próprio Flávio Bolsonaro agradeceu publicamente o auxílio recebido do presidente argentino em uma carta de teor golpista, em que se autointitulou “verdadeiro líder do Brasil”.
Continua após a publicidade Coordenação com os EUA
De acordo com o jornal, a movimentação argentina esteve subordinada à estratégia americana, concretizando-se apenas após funcionários do governo de Donald Trump autorizarem a entrada de Flávio em Miami. Questionado sobre o episódio, porém, o presidente dos Estados Unidos manteve um tom ambíguo: confirmou ter concedido permissão de entrada ao senador, mas afirmou que não pretendia se envolver diretamente na política brasileira.
Continua após a publicidade Efeito para Lula e desgaste para Milei
Para o La Nación, a atitude de Milei acabou gerando um “efeito paradoxal que pode favorecer o próprio presidente Lula”. O exílio do clã nos Estados Unidos, onde também está o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, deve acelerar o processo de renovação da direita brasileira, abrindo espaço para lideranças mais moderadas e dispostas ao diálogo.
O jornal destaca a figura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) — que reconheceu a vitória de Lula —, projetando-o como o principal nome do campo conservador para 2030. Em Buenos Aires, contudo, o episódio abriu uma tempestade política para a Casa Rosada.
Setores da oposição no Congresso argentino iniciaram pedidos de informação exigindo esclarecimentos de ministros de Milei e cobrando o reconhecimento formal da eleição de Lula. Publicidade
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