Crise em CRA da Raízen expõe riscos do crédito privado e limita alternativas ao investidor
Pergunta do ouvinte
Fiz um investimento de R$ 5 mil no CRA da Raízen, com vencimento em agosto de 2037.
Hoje, o rendimento a valor de mercado sinaliza uma perda de quase R$ 2 mil.
Qual a melhor estratégia, considerando os problemas atuais da empresa, que pediu recuperação extrajudicial?
Rafael
Resposta de Marcelo d’Agosto
Uma primeira atitude é repensar a estratégia de investir diretamente em títulos de crédito privado.
Esses papéis são emitidos por empresas e não contam com a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Esse risco é ainda mais relevante quando o investimento envolve valores relativamente pequenos e prazos muito longos.
Existem alternativas mais adequadas.
Uma delas é o Tesouro Direto, que oferece mais segurança, embora tenha a desvantagem do imposto de renda.
Outra são os fundos de crédito privado, que permitem acesso a uma carteira diversificada, gerida por profissionais.
Nesse caso, há um custo — a taxa de administração —, mas em troca você ganha em diversificação, gestão especializada e controle de risco.
O crédito privado, por natureza, tem um risco relevante de problemas, mesmo quando envolve empresas grandes e bem avaliadas. Isso ocorre porque o mercado é cíclico: períodos de crescimento e recessão afetam diretamente a saúde financeira das companhias.
No caso específico do CRA da Raízen, não há muito o que fazer agora além de aguardar a resolução da recuperação extrajudicial.
Resumo:
Evite concentrar investimentos diretamente em títulos de crédito privado. Prefira fundos, que contam com estrutura profissional para lidar com riscos de inadimplência e aumentam a segurança da carteira.
