Crise do Master não levou a contágio sobre setor bancário, mostra BC
O Banco Central afirmou que a crise do grupo Master não gerou contágio no setor bancário, conforme o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do segundo semestre de 2025, divulgado nesta segunda-feira.
O BC destacou que a maioria dos clientes que foram ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) direcionou os recursos novamente para instituições financeiras, sobretudo de maior porte. Além disso, não houve impacto relevante nas taxas praticadas pelos ativos protegidos pelo FGC e as instituições continuaram a ter amplo acesso ao mercado de captações.
As primeiras liquidações do grupo Master aconteceram em novembro do ano passado. No primeiro trimestre deste ano, foram liquidadas as demais, em um total de nove.
"Embora o trimestre (4º trimestre de 2025) tenha sido marcado pela crise pontual do Conglomerado Master, não houve contágio sobre o setor bancário. A ausência de impacto relevante nas taxas praticadas em instrumentos garantidos pelo FGC, e a manutenção do amplo acesso das IFs ao mercado de captações bancárias reforçam a confiança dos depositantes na higidez do SFN (Sistema Financeiro Nacional)."
No relatório, o BC destrinchou como foram utilizados os recursos recebidos do FGC. Em relação aos valores devidos aos clientes do Banco Master, Banco Master de Investimento e Letsbank, R$ 37,7 bilhões foram efetivamente pagos entre 19 de janeiro e 27 de fevereiro ante o valor estimado de R$ 40,4 bilhões. Do valor pago, R$ 20,77 bilhões (55,1%) foram direcionados a títulos emitidos por instituições financeiras, evidenciando, segundo o BC, "a relevância desse segmento na absorção da indenização.
Uma parcela de R$ 1,47 bilhão (3,9%) foi alocada em outros títulos privados e uma fatia de R$ 15,46 bilhões (41%) teve outra destinação. No detalhamento dos títulos emitidos por IFs, os seis maiores bancos do país (Banco do Brasil, Bradesco, BTG, Caixa Econômica Federal, Itaú e Santander) absorveram 40,9% do total. De acordo com a autoridade monetária, esse é o perfil de atuação esperado em eventos de resolução bancária.
Em relação à liquidez do FGC, saiu de R$ 114,1 bilhões no fim de 2024, ou 2,3% do total de títulos elegíveis à cobertura, para R$ 66,8 bilhões em janeiro deste ano, ou 1,2%. A meta é de 2,5%. No entanto, os associados já aprovaram uma recomposição da liquidez e a expectativa é de que suba a R$ 111,2 bilhões ou 2% dos títulos elegíveis.
"A liquidez estimada para março de 2026 mantém o FGC em condição de cobrir as instituições associadas, seja individualmente, seja de forma conjunta, em quantitativos semelhantes à posição em que o fundo encontrava-se antes dos eventos de novembro de 2025."
