Previsto para começar a partir da próxima sexta-feira, o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão mobiliza as campanhas dos candidatos à Presidência.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que terão a maior fatia do tempo, já começaram a gravar as peças que serão veiculadas até 1º de outubro.
Os temas levados aos eleitores vão da crise do INSS à defesa da soberania.
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Em agendas na quinta-feira, Lula criticou o que avalia ter sido um desmonte do governo feito pela gestão Bolsonaro, e Flávio, ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), falou em ser “presidente de transição”.
No campo da propaganda eleitoral, Lula deve enfatizar temas como emprego, saúde, educação e soberania, destacando realizações de seus governos e indicadores dessas áreas.
A campanha do petista também pretende reforçar uma mensagem de esperança, sonho e orgulho nacional.
O presidente iniciou a gravação de vídeos nos últimos dias no QG de comunicação, numa casa do Lago Sul em Brasília, com o objetivo é criar um banco de imagens para serem usadas até o fim primeiro turno.
A produção intensa neste momento permitirá que a equipe recorte os melhores fragmentos das falas de Lula para usar nos programas.
A ordem das gravações ainda é aleatória, uma vez que não se bateu o martelo sobre o modelo de programa que fará a estreia do horário eleitoral.
Isso deve ocorrer nos próximos dias, e o formato vai ser definido a partir do resultado aferido em grupos de pesquisas qualitativas.
A defesa da soberania e a valorização da identidade nacional, no entanto, devem aparecer de forma transversal ao longo da campanha.
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Falas espontâneas
A equipe ainda avalia se usará falas livres de Lula ou com presidente usando teleprompter.
Com briefing, o petista costuma se sair melhor em falas espontâneas, mas o ambiente controlado da campanha, o tempo limitado das inserções e o ajuste do discurso devem fazer Lula adaptar ambos os recursos.
Todas as gravações são acompanhadas pelo marqueteiro Raul Rabelo e pelo fotógrafo Ricardo Stuckert.
Lula tem gravado com chapéu panamá e usado camisas sociais de cores claras.
Na terça-feira, o presidente apareceu em uma gravação no estúdio falando sobre fim da taxa das blusinhas.
O cenário era uma sala com uma estante de livros com vista para o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro.
Aliados criticaram o visual por parecer que Lula estava falando de uma cobertura da capital fluminense.
Há, portanto, a possibilidade de ajuste do set de gravação.
Na quinta-feira, em sua primeira visita ao Nordeste após o início da campanha, Lula criticou o governo Bolsonaro ao afirmar que “se construiu um processo de mentira” no Brasil.
— Quando voltamos para o governo, encontramos um país totalmente desestruturado.
Era um lugar abandonado, porque se construiu um processo de mentira nesse país.
Era brincadeira na internet.
Falar mal e provocar os outros.
Nós reconstruímos esse país — disse Lula em Macaíba, no Rio Grande do Norte, ao lado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos).
O presidente visitou o parque tecnológico da região e acompanhou anúncios relativos aos supercomputadores e soberania digital.
Já Flávio, em São Paulo, afirmou durante um encontrou com empresários da Mooca que, se eleito presidente, está disposto a fazer um mandato de transição.
Ele estava ao lado de Tarcísio de Freitas, que mais cedo, em sabatina de O GLOBO, Valor e CBN, havia reforçado que o senador defende o fim da reeleição.
— Tarcísio entrou para a história como ministro da Infraestrutura do Bolsonaro, e Tarcísio já entrou para a história como governador de São Paulo.
E eu pretendo entrar para a história, Tarcísio, nem que seja como presidente de transição — disse Flávio, sem dar mais detalhes.
Discurso sobre economia
Na propaganda eleitoral para rádio e TV, Flávio vai combinar dois eixos de ataque a Lula: economia e corrupção.
Em peças gravadas na última quarta-feira em um supermercado, o candidato do PL associa o aumento do custo de vida e o endividamento das famílias à política econômica do governo, usando situações do cotidiano para reforçar a crítica ao impacto no bolso dos eleitores.
O discurso econômico ganhou espaço nas primeiras agendas de Flávio após o início oficial da campanha.
Em Belo Horizonte, na terça-feira, o senador atribuiu a Lula o aumento do endividamento das famílias e afirmou que a política econômica do governo levou brasileiros a recorrer ao crédito e enfrentar juros que não conseguem pagar.
Ao mesmo tempo, a campanha levará para a propaganda eleitoral o caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado pela Polícia Federal por suspeitas de tráfico de influência.
O QG de Flávio quer explorar as recentes revelações de mensagens entre o filho do presidente e a empresária Roberta Luchsinger para reforçar a narrativa de combate à corrupção e ampliar um tema que já vem sendo usado pela oposição no Congresso e nas redes sociais.
Parlamentares passaram a cobrar novas diligências depois da divulgação das mensagens, com pedidos para que Lulinha seja ouvido e para que as provas reunidas nas investigações sejam preservadas.
Flávio também já entrou diretamente na ofensiva.
Nas redes, o candidato repercutiu as revelações envolvendo o filho do adversário e passou a usá-las para atacar Lula.
A decisão de incluir o episódio no horário eleitoral amplia essa estratégia e leva o caso para uma parcela do eleitorado que não necessariamente acompanha a disputa política pelas redes sociais.
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