Crianças e adolescentes entre 9 e 15 anos estão entre vítimas de Epstein, revelam parlamentares
De acordo com parlamentares bipartidários dos Estados Unidos, que analisaram parte dos arquivos sem restrição divulgados pelo Departamento de Justiça, crianças e adolescentes estão também entre as vítimas do criminoso sexual Jeffrey Epstein.
O deputado Jamie Raskin cita uma criança de nove anos e também outras de 15, 14 e 10 anos.
'Vi uma menção a uma menina de 9 anos. Quer dizer, isso é simplesmente absurdo e escandaloso', comentou.
Em meio a isso, os deputados também criticaram a falta de divulgação de alguns nomes citados e conhecidos, que teriam sido deixados tapados nos arquivos revelados.
Eles afirmaram que nomes de seis homens foram ocultados nos novos documentos divulgados no fim de janeiro, sem explicação do Departamento de Justiça americano. O republicano Thomas Massie e o democrata Ro Khanna disseram que as pessoas omitidas provavelmente têm ligação com o escândalo.
Os parlamentares integram um grupo dos dois maiores partidos americanos — republicanos e democratas — que têm acesso às versões não censuradas dos documentos e puderam compará-las com os arquivos editados pelo Ministério da Justiça.
Thomas Massie e Ro Khanna se recusaram a divulgar os nomes dos seis homens, mas indicaram que um deles ocupa alto cargo em um governo estrangeiro e outro é uma ilustre personalidade. Pela legislação americana, omissões são permitidas apenas em condições restritas, principalmente para preservar a privacidade das vítimas.
Por outro lado, a legislação do país proíbe expressamente a retenção de documentos com base no argumento de que a divulgação poderia causar dano a qualquer pessoa, seja autoridade governamental, figura pública ou líder estrangeiro.
Epstein em vídeo dentro da prisão.
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Diante disso, os congressistas pedem que o Ministério da Justiça dos Estados Unidos reveja os arquivos e a decisão de ocultar identidades citadas nos documentos do caso Epstein. Também na segunda-feira (9), Ghislaine Maxwell, ex-companheira e cúmplice de Jeffrey Epstein, se recusou a responder às perguntas de um comitê do Congresso americano sobre o caso.
Como já era esperado, ela invocou o direito ao silêncio garantido pela Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos. No entanto, afirmou que pode prestar depoimento caso receba um indulto do presidente americano, Donald Trump.
Ghislaine Maxwell é, até o momento, a única pessoa condenada por crimes ligados a Jeffrey Epstein, encontrado morto na prisão em 2019. Ela foi considerada culpada em 2021 por tráfico sexual de menores sob a liderança de Epstein e cumpre pena de 20 anos em uma penitenciária no Texas, no sul do país.
Epstein não administrava rede de tráfico sexual para poderosos e famosos, conclui FBI
Trump ao lado de Epstein.
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Apesar das especulações, o FBI concluiu, mostram memorandos nos arquivos dos documentos liberados pelo Departamento de Justiça, que o criminoso sexual Jeffrey Epstein não administrava uma rede de tráfico sexual para poderosos e celebridades.
A informação foi revelada pela agência de notícias Associated Press através de uma análise de documentos do caso. O FBI, agência de espionagem dos EUA, afirmou que não tinham evidências suficientes para realizar as acusações adicionais contra Epstein e qualquer pessoa associada.
Os documentos mostram que a investigação iniciou em 2015, após pais de uma menina de 14 anos dizerem que ela foi abusada na casa do criminoso. São cerca de outros 35 casos parecidos relatados.
No fim, Epstein se declarou culpado em um acordo na Justiça e ficou apenas 18 meses na prisão, saindo em 2009.
Dez anos mais tarde, ele foi preso novamente após mais acusações virem à tona e o caso chegar até a Justiça federal. Ele morreu pouco tempo depois de estar na cadeia.
Os arquivos mostram que o FBI fez uma análise profunda, mas não encontrou evidências ou conexões de Epstein com qualquer uma das pessoas com influência para ser uma rede de tráfico.
'Nenhuma outra vítima descreveu ter sido expressamente direcionada por Maxwell ou Epstein para se envolver em atividades sexuais com outros homens', diz o documento.
A única pessoa que acabou envolvida no caso, além dele próprio, foi sua assistente e companheira, Ghislaine Maxwell, presa em 2021. Ela é acusada de recrutar vítimas.
Segundo o FBI, alguns dos nomes próximos ao criminoso, como o bilionário Les Wexner, chegaram a ser investigados após a prisão. Porém, as evidências de envolvimento eram poucas e bem limitadas.
Supostamente, havia uma lista de clientes que foi compartilhada nas redes sociais. Isso foi dito, inclusive, pela procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi. Porém, os investigadores afirmam nunca terem localizado elas, dias antes da mesma Bondi ter feito a afirmação.
