Crianças desaparecidas em Bacabal: polícia trabalha com hipótese de queda em rio

 

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Após mais de 40 dias do desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, em Bacabal, no interior do Maranhão, a investigação segue em curso e ainda sem respostas conclusivas.


A principal linha apurada pela Polícia Civil do Maranhão (PCMA) aponta que as crianças podem ter se perdido na mata e caído nas águas do Rio Mearim. Saiba mais a seguir.


Qual a razão da nova hipótese?


O sumiço foi registrado no dia 4 de janeiro, no quilombo São Sebastião dos Pretos, zona rural do município. Desde então, uma força-tarefa envolvendo equipes de segurança do Estado realiza buscas ininterruptas na região, marcada por vegetação fechada, terreno de difícil acesso e grande quantidade de igarapés e cursos d’água,  fatores que têm dificultado o avanço das diligências.


O delegado responsável pelo caso afirmou que, até o momento, não há vestígios concretos que indiquem outra dinâmica para o desaparecimento. “Todas as informações que chegam são verificadas. Mas a linha mais consistente aponta que as crianças podem ter se perdido na área de mata e caído na água”, declarou.


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Apesar da hipótese considerada mais provável, a autoridade policial reforçou que o inquérito ainda não foi concluído.  A ausência de pistas materiais dificulta e amplia o mistério em torno do caso, que mantém a mobilização das equipes na tentativa de esclarecer o que aconteceu com as duas crianças.


Primo foi o único encontrado 


A área considerada prioritária nas buscas foi delimitada a partir do relato de Anderson Kauan, primo de Ágatha Isabelly e Allan Michael. Ele estava com as duas crianças no dia do desaparecimento e foi o único localizado com vida pelas equipes de resgate.


Em apoio às diligências terrestres, o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA) atuou em conjunto com a Marinha do Brasil em uma varredura detalhada nas águas da região. Durante cinco dias consecutivos, as equipes realizaram buscas ininterruptas com o auxílio de tecnologia de varredura subaquática do tipo side scan sonar, equipamento capaz de mapear o fundo do rio com precisão.


Apesar do esforço concentrado e do uso de recursos especializados, nenhum vestígio das crianças foi localizado nas áreas examinadas.


Veja a cronologia do caso


4 de janeiro – Anderson Kauan (8), Ágatha Isabelly (6) e Allan Michael (4) saem para brincar, à procura de um pé de maracujá, e desaparecem. Familiares iniciam as buscas.

5 de janeiro – Força-tarefa é montada com a Polícia Civil do Maranhão, Polícia Militar do Maranhão e o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão; moradores se unem à mobilização.

6 de janeiro – Operação ganha reforço de helicópteros, drones e cães farejadores.

7 de janeiro – Anderson é encontrado com vida, a cerca de 4 km de casa, sem roupas, em área de mata.

8 de janeiro – Short e chinelo do menino são localizados próximos ao ponto de resgate.

9 de janeiro – Prefeitura anuncia recompensa de R$ 20 mil por informações.

10 de janeiro – Exército Brasileiro e Batalhão Ambiental reforçam as buscas, que chegam a reunir cerca de 340 pessoas.

11 de janeiro – Voluntários encontram novas peças de roupas infantis na mata.

12 de janeiro – A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão descarta que os itens pertençam aos irmãos.

15 de janeiro – Varredura é realizada no Lago Limpo; polícia identifica ponto conhecido como “casa caída”, onde as crianças teriam passado ao menos uma noite.

17 de janeiro – Marinha do Brasil passa a atuar na operação.

19 de janeiro – Bombeiros percorrem 180 km pelo Rio Mearim em busca de pistas.

20 de janeiro – Polícia descarta denúncia de que as crianças estariam no Pará; procissão em quilombo pede o retorno dos irmãos.

22 de janeiro – Buscas aquáticas no Rio Mearim são encerradas.

25 de janeiro – Polícia Civil de São Paulo apura denúncia sobre suposto avistamento em hotel na capital paulista; hipótese é descartada.

26 de janeiro – Delegado responsável desmente boatos nas redes sociais envolvendo familiares.

3 de fevereiro – Polícia Civil prioriza a linha de que as crianças possam ter se perdido na mata, sem descartar outras hipóteses.


(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Felipe Saraiva, editor web de OLiberal.com).