Criança morre após receber transplante de coração 'queimado por congelamento' na Itália
Uma criança de 2 anos morreu, neste sábado (21), na Itália, após receber um transplante de coração danificado, em dezembro passado. De acordo com o advogado da família à rede britânica BBC, o órgão teria sido transportado para o hospital em contato direto com gelo seco, fazendo com que chegasse com seu tecido "queimado pelo congelamento".
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Francesco Petruzzi disse aos repórteres que Domenico morreu por volta de 8h30 (5h30 no horário de Brasília), no Hospital Monaldi, onde estava internado com ajuda de aparelhos. O advogado informou que a criança sofreu uma "piora repentina e irreversível de seu quadro clínico".
O coração que seria transplantado viajou por mais de 800 km de Bolzano a Nápoles em um contêiner inadequado, junto ao gelo, sem um termômetro para alertar a equipe médica sobre as baixas temperaturas, informou a BBC.
Na quarta-feira, poucos dias antes da morte, uma junta médica pediátrica concluiu que Domenico não tinha condições de ser submetido a outro transplante. Os médicos também alertaram que o uso prolongado de aparelhos poderia comprometer seus pulmões, rins e fígado.
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A Justiça está investigando o caso. Seis profissionais de saúde estão sendo formalmente indiciados. O advogado da família afirmou que quer ter acesso a todos os registros médicos importantes.
— Se o tempo da esperança acabou, então o tempo da responsabilidade começou — disse Petruzzi.
Repercussão
O caso gerou repercussão na Itália. O pequeno Domenico estava internado há quase dois meses. O desespero era tanto que sua mãe, Patrizia Mercolino, chegou a pedir ajuda ao Papa Leão XIV.
Em uma publicação na rede social X, a primeira-ministra Giorgia Meloni escreveu que "toda a Itália lamenta a perda do pequeno Domenico, um guerreiro que jamais será esquecido". Na publicação, a premier ofereceu as "mais sinceras condolências e profunda solidariedade" à família da criança.
"Tenho certeza de que as autoridades competentes esclarecerão completamente este terrível incidente", concluiu.
O ministro da Saúde italiano, Orazio Schillaci, afirmou que é preciso "esclarecer absolutamente o que aconteceu".
— Devemos isso à criança, à família, mas também a todos os italianos — observou o dirigente da pasta, acrescentando: — Temos um excelente serviço nacional de saúde, que tem sido capaz de lidar com situações complexas e quase sempre resolvê-las. Portanto, acredito que os cidadãos não devem perder a fé.
