Criança autista não verbal desaparecida é encontrada em MG: por que há mais diagnósticos da condição em menores hoje em dia?
A criança Alice, de 4 anos de idade, foi encontrada após passar três dias desaparecida em uma área de mata na zona rural de Jeceaba, em Minas Gerais. Ela é autista não verbal, ou seja, não usa a fala como principal meio de comunicação, e havia sumido na última quinta-feira (29) no sítio dos avós.
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Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que a mãe de Alice se encontra com a filha, que foi encontrada por voluntários. Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, a criança está bem e com os sinais vitais preservados, tendo somente "marcas de capim" pelo corpo.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento, ou seja, é um distúrbio no desenvolvimento cerebral. Popularmente chamado de autismo, o TEA é diagnosticado, geralmente, na “segunda infância”, entre os 4 e os 6 anos de idade. Mesmo que possa ser tratado, para amenizar os sintomas, o autismo é uma condição permanente, pois, diferentemente das doenças, as síndromes não têm cura.
Níveis de autismo
A denominação de “espectro” é porque engloba diversas características, com variações na severidade da manifestação dos sintomas. Ao todo, são três níveis, sendo o primeiro o mais leve, o segundo, intermediário, e o terceiro o mais severo:
Nível um: verbal. Quando o paciente chega na idade adulta, ele não precisa de nenhuma intervenção. Portanto é o mais leve;
Nível dois: é necessária intervenção prolongada;
Nível três: é feito acompanhamento por toda vida.
Alice foi encaminhada ao hospital para receber os atendimentos médicos necessários.
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— Ela foi encontrada por voluntários que apoiavam nas buscas desde o princípio e, assim que tivemos a notícia, equipes do Corpo de Bombeiros se descolocaram para o local e fizeram o resgate — disse uma porta-voz, em vídeo divulgados nas redes sociais da corporação.
Mais diagnósticos em crianças
Embora haja uma percepção crescente de que o autismo infantil se tornou mais comum, especialistas concordam que o aumento nos diagnósticos se deve principalmente a uma maior compreensão clínica e social da condição.
É o que afirma José Vicente Montagud Fogués, professor da Universidade Internacional de Valência, na Espanha, que destaca a ampliação dos critérios de análise de quadros clínicos e o acesso mais rápido às avaliações.
O autismo, considerado uma condição neurodiversa e não uma doença, agora está sendo tratado com uma abordagem mais inclusiva. Maior treinamento para profissionais, professores e famílias contribuiu para uma detecção mais eficaz, apesar de ainda existirem desafios, especialmente em regiões de baixa renda, onde barreiras econômicas e sociais limitam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
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Montagud enfatiza que a sociedade deve se concentrar em ambientes inclusivos, políticas públicas apropriadas e uma compreensão respeitosa da diversidade cognitiva.
Aumentar a conscientização sobre o autismo e a educação precoce são essenciais para melhorar a qualidade de vida de crianças diagnosticadas e suas famílias.
