Criador do OpenClaw é contratado pela OpenAI e esquenta disputa pelo agente de IA perfeito

 

Fonte:


O OpenClaw, agente de inteligência artificial (IA) que chamou atenção do mundo da tecnologia no começo deste ano, continua a gerar impacto no setor. Neste domingo (15), a OpenAI anunciou a contratação de Peter Steinberger, criador da ferramenta, na tentativa de ganhar espaço no desenvolvimento de agentes.

"Peter Steinberger está se juntando à OpenAI para impulsionar a próxima geração de agentes pessoais”, postou no domingo Sam Altman, CEO da companhia dona do ChatGPT. "Ele é um gênio com muitas ideias incríveis sobre o futuro de agentes muito inteligentes que interagem entre si para fazer coisas muito úteis para as pessoas. Esperamos que isso se torne rapidamente o núcleo de nossos produtos", escreveu ele.

Entenda o que é o OpenClaw, o agente de IA por trás da ‘lagosta’ que virou febre

Com o movimento, o desenvolvedor austríaco fará parte do Codex team para levar o ChatGPT ao próximo estágio da IA, algo que a OpenAI vem encontrando dificuldades para realizar. Ao contrário de chatbots, como o ChatGPT, o OpenClaw não serve apenas para dar respostas, mas realiza ações. É um exemplo dos chamados “agentes de IA”, sistemas autônomos que prometem uma nova era no setor de tecnologia, embora o conceito encontre dúvidas e desconfiança. Ao ilustrar o potencial dos agentes, ele viralizou nas redes sociais — até o começo de fevereiro, mais de 1,5 milhão de agentes haviam sido criados.

O OpenClaw foi criado por Steinberger como um passatempo e divulgado como projeto de código aberto em novembro de 2025. A ferramenta consegue controlar o navegador, enviar e-mails, gerenciar arquivos, controlar a agenda e fazer o check-in para voos. Tudo isso é feito de forma autônoma, atendendo apenas comandos simples no WhatsApp, Telegram ou Slack. Com a contratação, o projeto não será desativado: o OpenClaw permanecerá como um projeto de código aberto em uma fundação que contará com o apoio da OpenAI.

Novo recurso: Google Chrome lança agente de IA capaz de navegar na web para os usuários

Moltbook: Rede social de agentes de IA, levanta a questão: o despertar das máquinas já chegou?

"Quando comecei a explorar a IA, meu objetivo era me divertir e inspirar as pessoas. E aqui estamos nós, a lagosta está dominando o mundo. Minha próxima missão é construir um agente que até minha mãe possa usar. Isso exigirá uma mudança muito mais ampla, muito mais reflexão sobre como fazer isso com segurança e acesso aos modelos e pesquisas mais recentes", escreveu Steinberger em seu blog.

— O mercado já está cheio de pesquisadores e inovadores mais ligados à tecnologia e desenvolvimento, mas ele sente falta de pessoas com perfil voltado à conexão com o usuário e aos problemas reais. Assim, a contratação do Steinberger é gigantesca. Falta no mundo da IA gente focada para viabilizar adoção da tecnologia em alta escala. Ele não criou nada novo, mas pegou tecnologias que já existiam e estruturou elas de forma inteligente — explica ao GLOBO Rica Barros, fundador da plataforma de agentes Tess AI.

A contratação demonstra um sinal de reação da OpenAI, que nos últimos meses viu executivos importantes deixarem a companhia para rivais como Meta e Google. No final do ano passado, o próprio Altman tratou de realinhar expectativas para 2026 em relação ao desenvolvimento de agentes.

No começo do ano passado, ele afirmava que 2025 seria o ano dos agentes, algo que não se concretizou. Ameaçado pelo avanço do Google em IA, o CEO da OpenAI enviou em dezembro um comunicado interno afirmando que era hora da companhia focar em seus produtos “core”, como os chatbots, e focar menos em outros projetos, como agentes. Mas o cenário mudou novamente.

— Esse movimento demonstra que a OpenAI está com pressa. O Sam Altman afirmou que os agentes pessoais serão o centro dos produtos da empresa. E isso deixa claro que só ter o modelo de IA mais inteligente é uma parte da equação. Quem construir a camada para a IA agir no mundo real é quem vai se sobressair. Nenhuma empresa conseguiu entregar isso ainda — afirma Leo Candido, head de transformação de IA na Artefact.

À procura do agente perfeito

A corrida pelo agente de IA perfeito ganhou novo fôlego em 30 de dezembro, quando a Meta anunciou a compra da Manus AI, um negócio estimado em US$ 3 bilhões. A startup chinesa AI era apontada como candidata a “novo DeepSeek” no mundo dos agentes. No entanto, a companhia foi obrigada a seguir os passos do OpenClaw.

Na segunda (16), a Manus anunciou que terá agentes pessoais que funcionam aos moldes do OpenClaw. A estreia será no Telegram, que tem regras e integrações mais flexíveis com agentes externos, e não no WhatsApp, que também pertence à Meta. Os agentes poderão executar tarefas a partir de comandos de voz no app de mensagens. Entre elas estão pesquisas, processamento de dados até produção de relatórios estruturados e PDFs.

Quem parece ter perdido um round na disputa dos agentes foi a Anthropic, que lançou em janeiro o Claude Cowork. A companhia foi a primeira gigante da IA a ter contato com Steinberger, pois o OpenClaw utiliza os seus LLMs como cérebro de seus agentes. No entanto, a empresa decidiu ameaçar judicialmente o desenvolvedor.

Inicialmente, o OpenClaw se chamava “Clawdbot”, nome em homenagem ao “Clawd”, mascote da ferramenta de programação Claude Code. O austríaco contou no X que recebeu e-mail da Anthropic no final de janeiro, que pedia a troca de nome devido à similaridade com os produtos da companhia. Na sequência, Steinberger rebatizou a ferramenta para Moltbot antes de mudar novamente para OpenClaw.

— A Anthropic perdeu uma oportunidade de se aproximar do Peter, não só pelo talento, mas por todo o ecossistema. A OpenAI não comprou só o talento dele, mas leva no pacote uma prova de conceito validada pelo mercado, uma comunidade engajada de desenvolvedores e, principalmente, uma visão de produto que as grandes empresas não haviam conseguido entregar — diz Candido.