Credores da Raízen querem 90% da empresa em conversão de dívidas em ações, diz agência

 

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Detentores de títulos da Raízen e credores bancários estão pedindo uma participação de até 90% na empresa em troca de 45% de sua dívida em uma reestruturação financeira da distribuidora de combustíveis, segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas ontem pela agência Bloomberg.

Essa participação é superior aos 70% que a Raízen (associação entre Shell e Cosan) propôs aos credores em uma possível conversão de dívida em ações, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas por se tratarem de negociações privadas.

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Detentores de títulos e bancos como o Itaú Unibanco e o Bradesco também estão pressionando os acionistas controladores da Raízen a injetarem mais capital na empresa, além dos R$ 3,5 bilhões oferecidos pela Shell e dos R$ 500 milhões que Rubens Ometto, fundador da Cosan, concordou em aportar, disseram as fontes.

Esses dois bancos estão entre as instituições financeiras que chegaram a ameaçar suspender os empréstimos para outras empresas da Cosan caso não se chegue a uma solução mais favorável para os credores da Raízem, segundo os relatos.

Solução para dívida de R$ 65 bi

Os credores também querem maior participação na gestão da empresa. A Raízen pediu uma recuperação extrajudicial em março, com uma dívida de R$ 65 bilhões. Desde então, a empresa negocia com os credores para chegar a um acordo de reestruturação e evitar a necessidade de entrar com pedido de recuperação judicial.

Durante as reuniões com credores, os acionistas controladores resistiram à pressão dos detentores de títulos para injetar ainda mais dinheiro na Raízen, disseram pessoas na semana passada.

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A Cosan, que também possui negócios ferroviários, de gás natural e de lubrificantes, também vive dificuldades financeiras e passa por uma reestruturação. O grupo encerrou dezembro com uma dívida líquida de R$ 9,7 bilhões. Isso representa uma redução de 46% em relação ao trimestre anterior, visto que a empresa recebeu um aporte de capital de R$ 4,5 bilhões no final de 2025 de investidores incluindo o BTG Pactual Holding, veículo de investimento dos sócios do banco.

Embora Ometto mantenha o controle dos direitos de voto da Cosan, por meio de uma participação de 50,01% via a sua empresa de participações Aguassanta, os sócios do BTG se tornaram os maiores acionistas econômicos após o acordo, com quase 25% do capital.

Juros na raiz do problema

A Raízen tem sido duramente afetada por altas taxas de juros para manter sua estrutura de capital, grandes investimentos que ainda não se pagaram e dificuldades operacionais em suas divisões de açúcar e etanol, resultando em uma série de resultados abaixo do esperado.

Espera-se que as negociações de reestruturação continuem nos próximos dias, enquanto as partes correm para finalizar um plano que possa garantir o apoio da maioria dos detentores de títulos e bancos. As partes têm até 6 de junho para chegar a um acordo extrajudicial.

Representantes da Shell, Cosan, Raízen e Bradesco não quiseram comentar. Porta-vozes do Itaú e do BTG não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

Os investidores em dívida perderam o interesse em empresas brasileiras após uma série de notícias negativas. A Raízen e a rede de supermercados GPA buscaram recuperações extrajudiciais nas últimas semanas. A Alliança Saúde pediu proteção judicial contra credores. Outras empresas, como a Braskem, a Kora Saúde, do grupo HIG Capital, e a Oncoclínicas também estão avaliando medidas de reestruturação de dívida, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.