Credores da Raízen farão contraproposta aos acionistas sobre reestruturação da dívida de R$ 65 bilhões

 

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Os credores da Raízen, incluindo bancos e detentores de papéis da companhia emitidos no exterior, deverão fazer uma contraproposta aos principais acionistas (Shelle Cosan) sobre o percentual de dívida a ser convertido em participação acionária na próxima semana. O acerto foi feito depois de reuniões em Nova York, realizadas esta semana. A Raízen entrou com pedido de recuperação extrajudicial em março passado para reestruturar dívidas de R$ 65 bilhões. É o maior caso de recuperação extrajudicial já registrado no país.

Na reunião, os controladores da Raízen, Shell e Cosan, mantiveram os termos da proposta feita aos credores: conversão de 45% dos débitos em ações (o equivalente a R$ 29 bilhões), injeção de capital de R$ 4 bilhões (R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de Rubens Ometto, via Aguassanta, holding financeira do empresário), além do alongamento do restante da dívida por 13 anos, e um aporte de R$ 5 bilhões feito pelos credores via empréstimo.

Os controladores não mostraram disposição de aumentar o aporte financeiro acima dos R$ 4 bilhões, segundo uma fonte a par das conversas. Na reunião foram discutidos os planos de negócio da Raízen, assim como projeções financeiras feitas pela empresa. Segundo a fonte, foram longas conversas, que resultaram na decisão de pedir uma contraproposta, especialmente aos bancos.

Os credores consideram o volume de dívida a ser convertido (45%) muito elevado e os R$ 4 bilhões de aporte dos acionistas um valor muito baixo. Os credores inicialmente haviam pedido uma injeção de R$ 25 bilhões. Com a ação da Raízen cotada abaixo de R$ 1 e a retirada do papel de índices da B3, os credores temem receber ações com liquidez reduzida e alto risco de perda. Por isso querem aportes maior de Cosan e Shell, reduzindo o percentual de conversão. Esse ponto também deverá constar da contraproposta.

Ao fazer o pedido de recuperação extrajudicial, a Raízen informou que havia consenso de detentores de 47% das dívidas. Mas para que o plano seja homologado pela Justiça é preciso 100% de adesão dos credores. A partir do pedido, a Raízen tem 90 dias para que se chegue a um consenso.

Os problemas financeiros da Raízen, maior empresa de biocombustíveis do país, são decorrentes do aumento do endividamento após diversas aquisições de empresas para crescer, além de investimentos elevados em novos projetos (principalmente etanol de segunda geração) que não entregaram o retorno esperado. Os juros elevados também ampliaram as despesas financeniras da empresa, levando ao pedido de recuperação extrajudicial.

Procuradas, Shell, Raízen e Cosan não se manifestaram.