Créditos problemáticos do agro na Caixa triplicam em um ano, banco aumenta provisão e lucro é afetado no final de 2025
Os créditos do agronegócio considerados problemáticos na carteira de crédito da Caixa triplicaram em um ano, de R$ 4 bilhões para R$ 12 bilhões, levando o banco público a aumentar as provisões para créditos duvidosos. Isso afetou o resultado da instituição pública, no último trimestre de 2025.
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A Caixa registrou lucro líquido recorrente de R$ 2,8 bilhões no quarto trimestre do ano passado, uma queda de 39,6% na comparação com o mesmo período de 2024 e de 26,5% ante o terceiro trimestre de 2025. No acumulado do ano passado, o lucro foi de R$ 15,5 bilhões, alta de 10,4% na comparação anual. A provisão para créditos de liquidação duvidosa alcançou R$ 5,36 bilhões nos últimos três meses do ano passado, um salto de 14,6% ano a ano e de 5,6% no trimestre.
Apesar de safra recorde no ano passado, o agro vice um paradoxo e vem enfrentando uma alta de custos, taxas de juros elevadas, com restrição de crédito, o que vem afetando sua rentabilidade com impacto no resultado dos bancos. No Banco do Brasil, o lucro líquido ajustado foi de R$ 20,68 bilhões em 2025, queda de 45% na comparação com 2024, devido ao forte impacto da inadimplência no setor do agronegócio. A carteira de crédito do agro no BB soma mais de R$ 406 bilhões.
Já na Caixa, a carteira de crédito do agro encerrou 2025 em R$ 63 bilhões, um crescimento marginal de 0,6% na comparação anual. E a inadimplência também disparou. Era de 3,73% em dezembro de 2024 e subiu para 14,09% ao final do ano passado. O banco pretende manter a carteira no patamar ao redor de R$ 60 bilhões, disse Marcos Brasiliano Rosa, vice-presidente de finanças do banco.
— De R$ 12 bilhões, que estão ali classificados como maior risco, a provisão é de R$ 6 bilhões, ou seja, 51,5% de provisão. Houve uma concessão menor de crédito ao agronegócio, a carteira começa a girar a partir de agora, o objetivo é fazer a qualificação dessa carteira, mas mantendo aquele saldo acima de R$ 60 bilhões, que é o nosso objetivo estratégico — explicou Brasiliano durante apresentação dos resultados do banco.
Inadimplência do agro cresceu
O vice-presidente da Caixa lembrou que o índice de inadimplência do banco consolidado fechou em 3,07%, menor do que o mercado. Mas ele destacou o crescimento do atraso em pagamentos de mais de 90 dias no agro.
— Isso não é uma novidade para o mercado. Temos uma atenção especial com isso. O próprio governo emitiu uma Medida Provisória com a intenção de ajudar nessas renegociações.Tem todo um processo envolvendo a carteira rural. A carteira de crédito andou de lado, cresceu a classificação de maior risco, mas estamos corrigindo, fazendo a proteção dessa carteira como a norma requer e os cuidados prudenciais que temos com nossos ativos — explicou.
Já a carteira total de crédito da Caixa cresceu acima do esperado pelo banco, especialmente pela forte contratação do crédito imobiliário, carro-chefe do banco. A carteira de crédito total do banco atingiu R$ 1,378 trilhão, com alta de 3,3% em três meses e de 11,5% em um ano, enquanto a ex´pectativa era de uma alta entre 6,5% a 10,5%. Para o crédito imobiliário, a estimativa era de um crescimento entre 7,5% a 11,5%, mas a expansão chegou a 13,0%. A carteira de crédito imobiliário chegou a R$ 938,0 bilhões ao final de 2025.Para este ano, a projeção é de alta de 9,0% a 13,0% no crédito,
Também influenciou o resultado o crescimento das despesas administrativas, que alcançaram R$ 12,77 bilhões, aumento de 7,9% em relação ao quarto trimestre de 2024.
BRB: Caixa não negocia carteiras de crédito
O presidente da Caixa, Carlos Vieira, afirmou que considera adequada a estratégia de capitalização do Banco Regional de Brasília (BRB), que inclui a obtenção de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões e a utilização de nove imóveis públicos por parte do banco. Vieira afirmou que, caso surja interesse de compra, a Caixa poderá analisar ativos do banco.
— Nossa posição já foi dita pelo nosso presidente do Conselho de Administração, recente, é que a Caixa olha para toda a situação como um banco qualquer de mercado, que se tiver alguma carteira de interesse, vai discutir — disse Veira.
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, que é o presidente do Conselho da Caixa, tem dito que monitora o BRB e suas carteiras de crédito, mas por enquanto não há negociação.
