CR7 bloqueia Wi-Fi e 5G para dormir melhor; entenda se 'truque' funciona
O jogador Cristiano Ronaldo, conhecido como CR7, tem um hábito curioso: à noite, o atual atacante do Al-Nassr, da Arábia Saudita, evita usar o celular e deixa o aparelho fora do quarto. Isso porque ele acredita que a tecnologia 5G pode interferir no descanso. Segundo relatos, ele também bloqueia o sinal de Wi-Fi durante a noite para conseguir ter um sono mais profundo e reparador. Mas será que esses sinais são realmente vilões quando o assunto é dormir bem?
Para responder a essa pergunta, o TechTudo ouviu Jefferson Rodrigues, pós-graduado em Distúrbios do Sono e vice-presidente da Academia Brasileira do Sono (Regional SC); Fernando Gomes, neurocirurgião, neurocientista e professor livre-docente da USP; e Marco Túlio de Mello, membro do Núcleo do Esporte da Academia Brasileira do Sono (ABS). Segundo eles, não existem evidências científicas de que os sinais de rede, por si só, atrapalhem o sono. Ainda assim, manter-se longe de eletrônicos antes de dormir pode melhorar a qualidade do descanso. Saiba mais a seguir.
🔎 Você já acorda cansado? Este hábito comum pode estar sabotando seu sono
🔔 Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviews
Cristiano Ronaldo desliga Wi-fi para dormir melhor durante a Copa do Mundo
Reprodução Rodrigo Antunes/Reuters
📝 Como melhorar o sinal do Wi-Fi? Fórum TechTudo responde
CR7 bloqueia Wi-Fi e 5G para dormir melhor; entenda se prática funciona
Cristiano Ronaldo bloqueia Wi-Fi e desativa 5G para dormir
O que é a tecnologia 5G?
Como funciona o sinal de Wi-Fi?
Wi-Fi e 5G podem afetar o sono?
Vale a pena desligar o Wi-Fi durante a madrugada?
Como melhorar a qualidade do sono com a tecnologia
Dicas para ter uma rotina de sono mais profunda e reparadora
Cristiano Ronaldo bloqueia Wi-Fi e desativa 5G para dormir
Cristiano Ronaldo é conhecido pelo alto desempenho dentro de campo. O jogador, que defende a seleção de Portugal na Copa do Mundo de 2026, mantém uma rotina rigorosa de cuidados com o corpo e a mente. Para isso, investe em alimentação equilibrada, exercícios físicos e, claro, uma boa noite de descanso. Entre seus hábitos, inclusive, está o de evitar o uso do celular antes de dormir.
A história ganhou forte repercussão na internet após uma entrevista concedida pelo lateral Cédric Soares, atualmente no São Paulo, ao programa Resenha ESPN, em 2025. Cédric, que atuou ao lado de Cristiano na campanha vitoriosa da Eurocopa de 2016 e em outros momentos, revelou que o capitão da equipe costuma deixar o smartphone fora dos aposentos e desliga as conexões de rede por crer em possíveis prejuízos invisíveis à saúde. O próprio Cristiano Ronaldo teria dito ao colega de equipe: "Cédric, não pode usar o 5G, pois pode prejudicar o sono."
Não existem evidências científicas de que os sinais de rede, por si só, atrapalhem o sono
Reprodução/Gemini
O que é a tecnologia 5G?
O 5G é a quinta geração de internet móvel. A rede entrega velocidades de download massivas e latência quase nula, o que permite conectar dezenas de aparelhos simultaneamente sem perda de desempenho. O especialista de produtos da TP-Link Brasil Daniel Dimas usa uma comparação simples para explicar as diferenças entre 4G e 5G. "O 3G era uma estrada de terra, o 4G virou asfalto e o 5G é uma pista de corrida com vários carros andando a 300 km/h ao mesmo tempo", afirma.
No dia a dia do consumidor, isso significa realizar tarefas complexas em segundos, como baixar um filme em resolução 4K na rua, jogar partidas online sem travamentos no transporte público e conduzir videochamadas de trabalho com estabilidade. Entretanto, o profissional da TP-Link faz questão de ressaltar que o sinal de dados móveis não serve para substituir as conexões domésticas convencionais, pois o Wi-Fi continua sendo a opção que costuma manter maior qualidade.
Tecnologia 5G é mais veloz que 4G
Reprodução/Magnific
Como funciona o sinal de Wi-Fi?
O Wi-Fi é a tecnologia sem fio padrão encarregada de distribuir o sinal de internet que chega pelo cabo da rua (via modem ou roteador) para os aparelhos eletrônicos do lar, incluindo Smart TVs, notebooks e robôs aspiradores. Ele funciona como uma ponte aérea de dados por ondas de rádio. É o mesmo princípio físico do rádio FM ou de um walkie-talkie, mas otimizado para transmitir dados em altíssima velocidade.
Atualmente, o padrão de mercado trabalha com duas faixas principais de frequência. A de 2,4 GHz oferece um alcance maior e consegue transpor paredes e barreiras físicas com facilidade, o que é ideal para dispositivos que demandam menos dados, como lâmpadas conectadas e câmeras de monitoramento. Já a faixa de 5 GHz foca na velocidade máxima de transmissão, mas tem alcance reduzido, sendo ideal para computadores e plataformas de streaming de vídeo.
Luzes do roteador Wi-Fi acesas
Reprodução/depositphotos.com
No dia a dia, isso permite, por exemplo, assistir a um filme na sala enquanto outra pessoa joga online no quarto, sem interrupções. Esse desempenho é possível graças a tecnologias como MU-MIMO e OFDMA, que organizam o tráfego de dados.
Wi-Fi e 5G podem afetar o sono?
A resposta científica é não. Até o momento, os estudos mais consolidados do setor de medicina diagnóstica mostram que não existem provas de que a exposição crônica aos sinais de Wi-Fi ou às torres de telefonia móvel 5G prejudique o sono humano, desde que os aparelhos sigam as normas de fabricação vigentes.
Exames avançados de polissonografia mapearam a atividade elétrica do córtex cerebral, a curva de liberação hormonal e a arquitetura das fases do sono sob a influência de ondas de rádio, sem detectar alterações patológicas, conforme explica o neurocirurgião Fernando Gomes.
“Embora alguns trabalhos isolados tenham sugerido pequenas alterações em parâmetros eletroencefalográficos, esses achados não foram reproduzidos de forma consistente e não demonstraram impacto clínico significativo sobre o descanso, o desempenho cognitivo ou a saúde”, pontua.
Uso do celular antes de dormir pode prejudicar qualidade do sono
Reprodução/Freepik
O especialista acrescenta ainda que o cérebro é sensível a estímulos ambientais, mas a intensidade energética emitida por roteadores domésticos e antenas de telecomunicações é considerada baixa e incapaz de gerar alterações biológicas relevantes nos tecidos cerebrais pelos mecanismos atualmente conhecidos. Por isso, entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e sociedades de medicina do sono afirmam que não há evidências suficientes para estabelecer uma relação causal entre Wi-Fi ou 5G e distúrbios do sono.
No entanto, a utilização de celulares e outros eletrônicos no período que antecede o sono pode prejudicar o descanso. O prejuízo não decorre do sinal de rede, mas sim da luz azul das telas, do estímulo cognitivo ou do acesso constante a conteúdos e redes sociais, conforme informa Mello. Em muitos casos, simplesmente reduzir o uso dos aparelhos eletrônicos antes de dormir ou desligá-lo já são medidas eficazes para melhorar a qualidade do sono.
Vale a pena desligar o Wi-Fi durante a madrugada?
Do ponto de vista científico, não há evidências sólidas que indiquem que desligar o Wi-Fi durante a madrugada melhore a qualidade do sono da maioria das pessoas. No entanto, especialistas recomendam essa prática como forma de promover uma desconexão digital e melhorar a qualidade do descanso.
“Quando a pessoa desliga o Wi-Fi, ela tende a parar de utilizar redes sociais, assistir a vídeos ou responder mensagens pouco antes de dormir. Nesse contexto, o benefício está muito mais ligado à redução dos estímulos cognitivos e comportamentais do que à ausência do sinal sem fio”, pontua Rodrigues.
Sempre que possível, Mello recomenda afastar ou desligar aparelhos eletrônicos como televisão, computador, notebook, tablet e celular. Ao reduzir luzes, ruídos e distrações que possam interromper os ciclos naturais, você prepara o ambiente para um sono de melhor qualidade. “Quanto mais favorável for esse ambiente, maiores são as chances de um sono contínuo e reparador”, completa.
Você acorda cansado mesmo dormindo bem? O hábito noturno que afeta seu sono
Shutterstock
Como melhorar a qualidade do sono com a tecnologia
Quando aplicada de forma adequada, a tecnologia pode se tornar uma grande aliada na melhoria do ambiente de descanso. “Recursos como relógios inteligentes, aplicativos de monitoramento do sono, sistemas de automação residencial e ajustes automáticos de iluminação podem ajudar na criação de uma rotina mais favorável ao descanso”, destaca Gomes.
O profissional acrescenta que alguns dispositivos também auxiliam na organização de horários regulares para dormir e acordar, um dos fatores mais importantes para a estabilidade dos ritmos circadianos. “Ferramentas de bloqueio de notificações, modos de foco e programas que reduzem a emissão de luz azul das telas podem minimizar interferências comportamentais associadas ao uso excessivo de dispositivos eletrônicos”, completa.
Psiquiatra explica como uso das redes fragmenta o sono
Freepik
Dicas para ter uma rotina de sono mais profunda e reparadora
Gomes destaca que os fatores mais eficazes para melhorar o sono continuam sendo aqueles relacionados à higiene do sono e à regulação dos ritmos circadianos.
“Manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos finais de semana, é uma das medidas mais importantes. O cérebro aprecia previsibilidade, e a regularidade fortalece os mecanismos biológicos responsáveis pela indução do sono”, diz.
O profissional também recomenda reduzir a exposição a telas e conteúdos estimulantes na última hora antes de dormir, evitar cafeína e outros estimulantes no período noturno, praticar atividade física regularmente (mas não muito próximo do horário de deitar) e manter o ambiente escuro, silencioso e com temperatura agradável.
Veja outros estimulos que interferem no sono
Reprodução/Instituto do Sono
Estratégias simples de relaxamento, como leitura leve, exercícios respiratórios, meditação, banho morno ou alguns minutos de silêncio, podem ajudar na transição entre o estado de vigília e o sono. Além disso, a exposição à luz natural pela manhã é uma das intervenções mais eficazes para sincronizar o relógio biológico e melhorar a qualidade do sono à noite.
Outro aspecto frequentemente negligenciado é a ergonomia do sono, alerta Rodrigues. “Ajustes posturais que favoreçam uma posição mais confortável, a escolha de colchões e travesseiros adequados às características individuais e a otimização das condições ambientais do quarto podem contribuir significativamente para um sono mais profundo, restaurador e reparador. Em muitos casos, pequenas mudanças no ambiente e nos hábitos noturnos produzem benefícios mais relevantes do que intervenções mais complexas”, destaca.
Com informações de Bein Sports
Leia também:
