CPI do INSS vira batalha eleitoral antecipada de aliados de Lula e Flávio Bolsonaro
Com a retomada dos trabalhos do Congresso, a reta final dos trabalhos da CPI do INSS é marcada por uma batalha entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O embate antecipa a disputa das eleições na arena do Legislativo.
Opositores do governo no colegiado querem aprovar a quebra de sigilo do filho do presidente Fábio Luis Lula da Silva, conhecido como Lulinha, enquanto governistas defendem a devassa nas contas de Flávio Bolsonaro.
O argumento dos dois lados é uma possível ligação dos alvos com o empresário Antonio Carlos Antunes, o careca do INSS, um dos principais operadores do esquema contra aposentados e que está preso.
No início de dezembro, governistas conseguiram derrubar o requerimento de convocação de Lulinha. O objetivo era esclarecer a viagem dele na companhia do careca do INSS para o exterior. Agora, vão insistir na quebra de sigilo.
Além disso, a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, foi alvo de um mandado de busca e apreensão na última fase da operação da Polícia Federal sobre as fraudes contra aposentados do INSS. Segundo as investigações, ela prestou serviços de consultoria ao careca do INSS.
O alvo no caso de Flávio Bolsonaro é Letícia Caetano dos Santos, sócia-administradora de um escritório de advocacia que funciona no mesmo endereço da mansão comprada por Flávio em Brasília. Ela é irmã de um dos sócios do Careca, segundo informou o colunista Lauro Jardim.
O presidente da CPI, Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou nesta terça-feira que pretende dar prosseguimento a vários requerimentos apresentados ao colegiado, desde que tenha relação com a finalidade da investigação, ou seja, esteja relacionada às fraudes contra aposentados do INSS. Segundo ele, foram ao todo quase 5 mil requerimentos.
Viana afirmou que, por ter sido citado em vários depoimentos, o requerimento pela quebra de sigilo do filho de Lula será votado pelo colegiado. Já no caso de Flávio Bolsonaro, afirmou que ainda vai avaliar se o pedido tem relação com o tema investigado ou se trata de disputa política:
— O filho do presidente (Lula) é citado por testemunhas diversas vezes. Ele tem envolvimento na investigação? Tem. No caso do senador Flávio Bolsonaro, a argumentação para que se traga a votação dele está diretamente ligada à investigação ou é uma questão política? É isso que nós vamos analisar. Se houver qualquer tipo de observação que nos leve a melhorar o relatório, qualquer um pode ser fruto dessa quebra de sigilo — disse o senador, acrescentando, contudo, que não permitir que a CPI se transforme em palanque eleitoral.
Ele reconheceu que o prazo para que a CPI conclua os trabalhos, até o final de março, é apertado e busca ganhar mais 60 dias. A medida depende da aprovação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Até agora, Alcolumbre não demonstrou que atenderá o pleito. Houve pedido de prorrogação por 120 dias e por 60 dias, mas o senador não se movimentou.
Para que a prorrogação seja automática, há necessidade do recolhimento de assinaturas de 27 senadores e 171 deputados, o que ainda não aconteceu.
