CPI do Crime Organizado quebra sigilo de fundo que comprou fatia de empresa de Toffoli em resort e tenta drible a veto do STF

 

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A CPI do Crime Organizado aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do Fundo Arleen, responsável pela compra da participação da empresa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no resort Tayayá, no Paraná. Com a medida, os parlamentares buscam driblar o impedimento de ter acesso às contas da Maridt, empresa de Toffoli, que teve o sigilo quebrado pela CPI, em decisão depois revertida por despacho do ministro Gilmar Mendes, do STF.

O requerimento, apresentado pelo senador Sergio Moro, estipula as quebras no intervalo entre 9 de fevereiro de 2021 a 29 de janeiro de 2026.

Documentos da Junta Comercial do Paraná mostram que o Arleen virou sócio do empreendimento em 27 de setembro de 2021 ao comprar a fatia da Maridt, por cerca de R$ 20 milhões. O Arleen, por sua vez, tem como único cotista um outro fundo, o Leal, que pertence ao empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Na semana passada, a CPI já havia quebrado os sigilos bancário, fiscal, telemático e telefônico de Zettel.

Como mostrou O GLOBO, Zettel movimentou em sete meses R$ 99,2 milhões, montante "incompatível com a capacidade financeira", de acordo com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As entradas e saídas da conta foram registradas entre junho de 2021 e janeiro de 2022.

As transações mapeadas na conta bancária coincidem com o período em que Zettel comprou a participação da empresa de Toffoli no Tayayá. O relatório mostra que o empresário transferiu ao todo R$ 25,6 milhões divididos em onze repasses para o fundo Leal. Quatro repasses foram detalhados pelo Coaf: 20 de julho de 2021, 29 de julho de 2021, 20 de setembro de 2021 e 3 de novembro de 2021. As datas são próximas à entrada do empresário na sociedade no empreendimento.

O Leal estava sob a gestão da Reag, conexão que motivou formalmente o pedido aprovado pelo colegiado.

Em nota divulgada quando o caso veio à tona, Toffoli informou que a Maridt, empresa da qual é sócio, vendeu a sua parte no grupo Tayayá ao fundo Arleen "a valor de mercado". No texto, o ministro declarou que "jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel" e que a venda da empresa ao fundo Arleen ocorreu, de fato, em setembro de 2021.

Toffoli deixou a relatoria do caso Master no Supremo após a revelação de um relatório da Polícia Federal que citava mensagens de Vorcaro e Zettel discutindo pagamentos à empresa do ministro do STF. Após uma reunião entre os 11 integrantes da Corte, houve um novo sorteio, e André Mendonça foi escolhido.

Ex-noiva convocada

A CPI aprovou também a convocação da influenciadora e ex-noiva de Vorcaro, Martha Graeff, e rejeitou, em votação em destaque, o pedido para ouvir o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Martha entrou no radar da CPI a partir de mensagens e anotações apreendidas nas investigações sobre o Banco Master e deve prestar esclarecimentos sobre interlocuções relacionadas ao caso. Ela também tem depoimento marcado na CPI do INSS na próxima segunda-feira.