CPI do Crime Organizado ouve Gabriel Galípolo sobre caso Master

 

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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa nesta quarta-feira de sessão CPI do Crime Organizado do Senado para esclarecer pontos relativos ao caso do Banco Master. No convite a Galípolo, de autoria do senador Eduardo Girão (Novo-CE), é citada a presença do atual presidente do BC em reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o dono do Master, Daniel Vorcaro, em dezembro de 2024. Naquela época, o chefe da autarquia ainda era Roberto Campos Neto, mas a indicação de Galípolo já tinha sido aprovada pelo Senado.

"É imprescindível que esta Comissão tenha pleno esclarecimento acerca das razões que motivaram a participação do Sr. Gabriel Galípolo no referido encontro, da natureza das informações eventualmente discutidas, da inexistência ou não de pedidos, pressões ou tratativas relacionadas a procedimentos regulatórios, bem como das providências adotadas posteriormente no âmbito da autoridade monetária", diz o requerimento.

O Master foi liquidado em novembro pelo Banco Central. No mesmo dia da intervenção do regulador, foi deflagrada a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes na atuação do banco. Daniel Vorcaro atualmente está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e negocia um acordo de delação premiada.

Na mesma sessão, estava prevista a oitiva de Campos Neto, convocado a comparecer à CPI, mas o ex-presidente do BC não virá à comissão. Ele já foi chamado outras vezes e recorreu ao STF e conseguiu decisões favoráveis para garantir o direito de não comparecer.

Reta final sob pressão

A participação de Galípolo ocorre na última semana de funcionamento da CPI, que tem prazo para encerrar os trabalhos no próximo dia 14. Nesta terça-feira, o relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), informou que a comissão não será prorrogada após encontro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

No entorno de Alcolumbre, a extensão já era considerada pouco provável, diante do calendário eleitoral e da resistência em manter CPIs em funcionamento neste momento.

A reta final também tem sido marcada por esvaziamento de oitivas, após decisões do STF que vêm convertendo convocações em convites e garantindo a depoentes o direito de não comparecer ou de não responder perguntas. Nesta terça-feira, o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), faltou à comissão.

Nesse contexto, a presença de Galípolo é vista por integrantes da CPI como uma tentativa de dar algum fôlego à comissão nos últimos dias.